O Monte Carlo Masters está em pleno andamento e a corrida pelo título está mais acesa do que nunca, com Carlos Alcaraz a defender o seu título e a lutar simultaneamente pelo topo do ranking mundial, pressionado ferozmente por Jannik Sinner. No entanto, antes mesmo de Alcaraz entrar em court, o quadro da competição sofreu uma reviravolta que pode facilitar enormemente o seu percurso rumo à final. O norte-americano Frances Tiafoe, adversário potencial nos oitavos-de-final, abandonou a prova, abrindo caminho para o espanhol.
Frances Tiafoe, que detém um recorde particular desfavorável contra Alcaraz (1-2 em confrontos diretos), anunciou a sua desistência após a derrota nas meias-finais em Houston frente a Tommy Paul, uma notícia que já se previa. Esta retirada inesperada altera por completo o sorteio, eliminando um obstáculo significativo logo nas fases iniciais da prova. Outro abandono tardio também impactou o torneio: Giovanni Mpesthi Perricard, que poderia ter enfrentado Alexander Zverev na segunda ronda, também recuou.
Com estas baixas, Carlos Alcaraz arranca diretamente na segunda ronda, poupando-se a um jogo inaugural e ganhando uma vantagem física e estratégica. O seu primeiro adversário será um entre Sebastián Báez ou Stan Wawrinka, dois jogadores com estilos distintos que poderão definir o ritmo da campanha de Alcaraz neste Masters.
A ronda dos oitavos-de-final apresenta agora um leque de possíveis oponentes como Tomás Martín Etcheverry, Grigor Dimitrov ou Terence Atmane, todos com abordagens muito diferentes ao jogo, prometendo duelos intrigantes. Se ultrapassar esta fase, a dificuldade aumenta exponencialmente: no quarto de final poderá cruzar-se com nomes como Alexander Bublik, Jiri Lehecka, Alejandro Tabilo ou Tallon Griekspoor. Já nas meias-finais, o nível de exigência será máximo, com potenciais encontros diante de Lorenzo Musetti, Alex de Miñaur, Valentin Vacherot ou Jakub Mensik – e claro, a possibilidade de um confronto decisivo contra Jannik Sinner na final permanece em aberto.
A pressão sobre Alcaraz é gigante: como campeão em título, tem em jogo 1.000 pontos ATP, fundamentais para manter o topo do ranking. Uma eliminação precoce, mesmo nos quartos-de-final, poderá abrir a porta para que Sinner aproveite e o destrone, especialmente após o impressionante desempenho do italiano na Sunshine Double.
O espanhol, visivelmente entusiasmado com o regresso ao pó de tijolo – a sua superfície de eleição –, revelou em declarações à ATP Media o quanto sente falta da época de terra batida. “Estou mesmo muito feliz por estar de volta aqui em Monte Carlo, o primeiro torneio da época de terra para mim, o que é ótimo. Senti mesmo falta dela. Vou tentar aproveitar ao máximo esta superfície maravilhosa, este torneio magnífico”, confessou. A ligação de Alcaraz à terra batida é profunda e remonta à infância: “Comecei a jogar ténis em campos de terra. Cresci a jogar em terra. Comecei aos quatro anos e só toquei em courts duros aos oito anos, e muito pouco, por isso sempre estive na terra batida.” Para ele, o intervalo entre as temporadas de terra é demasiado longo, o que torna o regresso ainda mais especial.
Este início de temporada em Monte Carlo é crucial para Alcaraz recuperar a forma depois das derrotas consecutivas no Indian Wells e Miami, onde caiu frente a Jack Draper e David Goffin, respetivamente, despertando dúvidas sobre o seu estado físico e psicológico. Contudo, a temporada de terra batida tem sido o palco onde Alcaraz mais brilha: venceu impressionantes 84,4% dos seus encontros nesta superfície, um registo apenas superado por lendas como Rafael Nadal (90,5%) e Bjorn Borg (86,1%).
Com Frances Tiafoe fora de combate e a sua condição física a melhorar, Carlos Alcaraz tem agora uma oportunidade dourada para defender o título em Monte Carlo e consolidar a sua liderança no ranking mundial. A pergunta que fica no ar é: estará o jovem espanhol preparado para aguentar a pressão e responder às expectativas num cenário que permanece implacável e repleto de desafios? O que é certo é que o espetáculo está garantido – e que o caminho para o título pode estar a ficar mais fácil para o número um do mundo.
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