É a dolorosa realidade do futebol inglês: liderar a Premier League durante meses e, no fim, deixar escapar o título. Este fenómeno, conhecido entre os adeptos como “bottling”, é um estigma que assombra equipas que pareciam ter o campeonato na mão, mas que acabaram por falhar de forma dramática. Arsenal, apesar de ser a equipa que mais vezes viveu este pesadelo nas últimas duas décadas, não é a única. Rivais históricos e outsiders também protagonizaram deslizes épicos, alguns deles tão chocantes que ficaram para sempre na memória dos fãs.
Para compreender os maiores desaires na luta pelo título da Premier League, recorremos a Chris Collinson, estatístico da BBC Sport, especialista em analisar tabelas e números que contam histórias de glória e desilusão. Segundo a sua análise, Arsenal merece a atenção pelo número de vezes que viu um sonho fugir-lhe entre os dedos, mas há casos emblemáticos que merecem destaque: desde a surpreendente subida do Leicester de Ranieri em 2015-16, ao icónico monólogo de Kevin Keegan, que há 30 anos simbolizou a dor da derrota iminente.
Vamos então ao ranking das maiores falhas na corrida ao título da Premier League, onde a emoção e a frustração se misturam numa luta feroz até ao último jogo.
Tottenham Hotspur – Temporada 2015-16 Foi um ano para os adeptos do Tottenham ficarem a sonhar acordados. A equipa de Mauricio Pochettino, jovem e vibrante, parecia pronta para acabar com uma seca de títulos desde 1961. Contudo, o improvável Leicester City, comandado pelo carismático Claudio Ranieri, protagonizou uma das maiores surpresas do futebol mundial, conquistando o título com odds de 5000-1. Tottenham ainda tentou aproveitar uma crise do Leicester, mas um empate decisivo na “Battle of the Bridge” e duas derrotas nos jogos finais condenaram a equipa ao terceiro lugar. Um desaire que ainda ecoa nos corredores de White Hart Lane.
Norwich City – Temporada 1992-93 Surpreendente protagonista da primeira época da Premier League, Norwich City liderou a competição durante 129 dias, um feito impressionante para uma equipa que, no ano anterior, tinha terminado no 20º lugar. Com uma equipa reforçada após vender Robert Fleck por 2 milhões de libras, os Canaries apostaram em jovens talentos como Chris Sutton. No entanto, a chegada de Eric Cantona ao Manchester United mudou o rumo da corrida, relegando Norwich para o terceiro lugar final. Um sonho que se desvaneceu, mas que ficou para a história.
Liverpool – Temporada 2018-19 A temporada perfeita de Liverpool quase deu frutos: 97 pontos, um registo impressionante, mas insuficiente para bater o Manchester City. Sob o comando de Jürgen Klopp, os Reds dominaram a liga durante 141 dias, mas a derrota crucial contra os Citizens, com uma defesa heróica de John Stones, marcou o ponto de viragem. Quatro empates em seis jogos comprometeram a vantagem, e mesmo uma sequência de nove vitórias consecutivas no final da época não foi suficiente para impedir os rivais de erguer o troféu.
Arsenal – Temporada 2002-03 Arsène Wenger e o Arsenal viveram uma amarga repetição de um fenómeno que já parecia repetir-se: deixar escapar uma vantagem confortável na liderança. Após a gloriosa época dos Invencíveis, onde não sofreram uma única derrota, Wenger previu uma nova era de domínio, anunciando uma “mudança de poder” após conquistar o título no Old Trafford. No entanto, na temporada seguinte, apesar de liderar durante quase cinco meses, o Arsenal não conseguiu manter a vantagem, entregando o título ao seu rival. Um golpe duro para os adeptos Gunners, habituados a altos e baixos dramáticos.
Estas histórias são mais do que simples falhanços desportivos; são lições sobre a pressão, a resiliência e o imprevisível drama do futebol ao mais alto nível. Enquanto Arsenal luta para afastar os fantasmas do passado, outras equipas continuam a sonhar com o dia em que poderão finalmente superar a barreira do “quase”, e escrever o seu nome na história da Premier League como verdadeiros campeões. A corrida pelo título é implacável, e estas falhas monumentais são a prova viva de que, no futebol, nada está garantido até ao apito final.
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