Arteta desafia PSG e Luis Enrique na luta pela Champions League

Partilhar

Mikel Arteta, o homem que conduziu o Arsenal ao tão desejado título da Premier League, enfrenta agora o maior desafio da sua carreira: derrotar o Paris Saint-Germain na final da Liga dos Campeões em Budapeste. Um confronto que parece escrito pelo destino, especialmente porque do outro lado estará ninguém menos que Luis Enrique, o mentor e agora rival que moldou o percurso do treinador espanhol.

Recuemos até 2001, quando Arteta, então com 19 anos, era um jovem promissor formado na La Masia, mas que via a sua ascensão no Barcelona bloqueada por gigantes como Xavi e Iniesta. Além deles, figuras como Emmanuel Petit, campeão do Mundo e da Premier League, e Phillip Cocu, o polivalente jogador, tapavam-lhe o caminho. E, sobretudo, no meio-campo do Barça dominava a dupla experiente formada por Luis Enrique e o então capitão Pep Guardiola. Foi esta convivência que marcou profundamente Arteta, que viu em Enrique um exemplo a seguir.

“O admiro imenso,” confessou Arteta numa recente conferência de imprensa à beira do duelo com o PSG. “Lembro-me da sua personalidade, do seu carácter enorme e da energia contagiante. Sempre apoiou os jogadores jovens. Onde quer que tenha estado, como jogador ou treinador, deixou a sua marca. O PSG é claramente a sua equipa. Aprendi imenso com ele.”

Percebendo que no Camp Nou não teria espaço, Arteta aceitou um empréstimo para o PSG, então comandado por Luis Fernandez, antigo internacional francês e nascido em Espanha. Na época 2000/01, longe da hegemonia atual, o clube parisiense lutava para se afirmar. Com uma equipa recheada de talentos – Mauricio Pochettino, Gabriel Heinze, Nicolas Anelka e um jovem Ronaldinho –, o PSG terminou a liga num modesto 9º lugar, mas proporcionou a Arteta a sua primeira experiência profissional fora de Espanha.

Foi também no PSG que Arteta conquistou um troféu, a Taça Intertoto, numa campanha que incluiu um jogo decisivo contra o Rangers, clube que viria a contratar o espanhol após o fim do empréstimo. A passagem pela Escócia, onde o futebol era brutalmente físico, transformou Arteta num jogador à altura da Premier League. “O futebol escocês era duro, muito físico. Tive de melhorar muito para chegar ao nível da Premier League,” recordou Arteta em 2012.

Depois de se sagrar campeão escocês com o Rangers em 2003, e de uma breve passagem pela Real Sociedad, Arteta consolidou-se no Everton, onde se tornou figura de referência, antes de regressar ao Arsenal, clube que acabaria por liderar até ao título inglês de 2026, superando inclusive o seu antigo mentor Guardiola.

Mas a ligação entre Arteta e Luis Enrique não termina aqui. Em 2019, após a saída de Arsène Wenger, o Arsenal teve oportunidade de contratar Enrique como treinador principal. O espanhol, então afastado do futebol devido a uma tragédia familiar, acabou por voltar ao comando da seleção espanhola, deixando a porta aberta para que Arteta, até então adjunto de Guardiola no Manchester City, assumisse o controlo dos Gunners. Uma decisão que mudaria para sempre o rumo do clube londrino.

Desde então, Arteta reconstruiu uma equipa inicialmente vista como “tóxica”, conquistou duas Taças de Inglaterra e duas Community Shields, e superou a sombra do “quase” para se tornar campeão nacional. Agora, a ambição é ainda maior: vencer a Liga dos Campeões contra o PSG, a equipa que lhe deu a primeira oportunidade e sob o comando de um treinador que foi, simultaneamente, mentor e quase adversário no Arsenal.

Este sábado, em Budapeste, a carreira de Mikel Arteta, construída ao longo de 25 anos, poderá fechar um círculo perfeito. Será o momento de provar que o destino, ou a coincidência, reserva-lhe um lugar na história do futebol europeu, frente ao homem que, desde o início, moldou o seu caminho. A batalha entre discípulo e mestre está lançada – e o mundo estará a assistir.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

Mais Notícias

Outras Notícias