Casper Ruud supera adversidades e avança em Roland Garros

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O calor abrasador que se abateu sobre Roland Garros não foi páreo para a determinação implacável de Casper Ruud. Durante dois dias consecutivos, Paris viu termómetros a marcar 91,4 graus Fahrenheit, transformando os pontos de água em verdadeiros oásis e as regas dos sprinklers em momentos fugazes de alívio. Ainda assim, os fãs mantiveram-se firmes, enchendo as bancadas e suportando longas esperas só para ver as maiores estrelas do ténis lutarem em courts que pareciam mais clubes de bairro do que palcos de um Grand Slam. Em meio a este inferno térmico, Ruud, duas vezes finalista do torneio, sentiu que a sua jornada no Open de França podia estar a fugir-lhe por completo, temendo que a estreia fosse o fim precoce da sua campanha.

No duelo de abertura contra o russo Roman Safiullin, Ruud parecia dominar o encontro com facilidade, até que o calor extremo começou a alterar o ritmo do jogo. O norueguês chegou a ter cinco match points no terceiro set, mas a partir daí a maré virou. Ruud começou a sentir os primeiros sinais de desgaste físico, admitindo que as cãibras começaram a assolar as suas pernas no meio do encontro. “Começou a aparecer no meio do terceiro set,” revelou Ruud. “Quando quebrei para 3-1, senti uma pequena tendência de cãibras nas minhas gémeas e pensei ‘Ah não, lá vamos nós’.”

O cenário tornou-se dramático: quando Ruud liderava 5-2 no terceiro set, Safiullin protagonizou uma reviravolta inacreditável, conquistando 11 jogos consecutivos e forçando o encontro para um quinto e decisivo set. A luta foi tão intensa que Ruud teve de recorrer várias vezes à ajuda médica em campo, usando toalhas de gelo e despejando água sobre o corpo para tentar refrescar-se e manter-se em jogo.

Mas o sofrimento físico não se ficou por Ruud. O próprio Safiullin sofreu problemas físicos no final do quarto set, obrigando a uma interrupção para tratamento. O número 141 do mundo chamou o fisioterapeuta quando liderava por 5-0, deitado no chão enquanto os médicos tratavam uma lesão na coxa ou anca que o estava a incomodar gravemente. Após fechar o quarto set com um “bagel” (6-0), ambos os jogadores saíram para uma pausa prolongada antes de regressarem para o derradeiro quinto set.

Apesar do cansaço extremo e das oscilações de momentum, Ruud conseguiu retomar o controlo e, após quase quatro horas de batalha extenuante (3h56m), venceu por 6-2, 7-6(7-5), 5-7, 0-6, 6-2. Mais tarde, o norueguês confidenciou que a experiência lhe trouxe memórias de um episódio assustador do passado: “Foi uma sensação de quase insolação. Já tinha passado por algo semelhante em Washington DC e tive mesmo de desistir. Houve momentos em que me senti tontíssimo, muito cansado, a andar em campo como um zombie.”

Ruud não escondeu a dor do momento em que a vitória parecia garantida, antes de lhe escapar entre os dedos: “Estava 5-3, 40-15, e pensava que tinha a partida. Fiz cinco primeiros serviços seguidos, ele respondeu com cinco pontos ótimos, e acabei por falhar um forehand vencedor num break point que ele aproveitou. Foi o break mais difícil que já perdi há muito tempo.”

A força mental de Ruud não foi obra do acaso. O tenista norueguês encontrou motivação na garra demonstrada por colegas como Jannik Sinner e Carlos Alcaraz, que também enfrentaram condições extremas este ano em torneios como o Australian Open. “Pensei no Jannik e no Carlos durante o jogo. O Jannik, especialmente, quando lutava contra o calor e depois conseguiu recuperar com o fecho do teto. O Carlos, na semifinal contra o Sascha, parecia acabado e ainda assim voltou no quinto set. Esses exemplos deram-me força.”

Ao garantir a passagem à segunda ronda, Ruud destacou o orgulho pela sua resistência física e mental: “Nunca desisti, mesmo quando o corpo pedia para parar.” Agora, com mais uma vitória dramática em Paris, o norueguês promete trazer essa mesma garra para os próximos desafios no Open de França, continuando a lutar até ao limite em busca do sucesso.

Casper Ruud, atual 15.º cabeça-de-série do torneio, mostrou que mesmo sob as condições mais adversas, a vontade de vencer pode superar qualquer obstáculo. Roland Garros 2026 nunca mais será o mesmo depois desta demonstração épica de coragem e resistência.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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