Naomi Osaka mas teme punição pelo visual

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Naomi Osaka voltou a incendiar as atenções no ténis mundial, não apenas pelo seu desempenho em court, mas pelo estilo audacioso que escolheu para a sua estreia no Open de França. A quatro vezes campeã de Grand Slam surgiu na icónica competição parisiense vestida num ousado corset preto e saia plissada cintilante da Nike, exibindo uma energia digna de passadeira vermelha sob o sol de Paris. Contudo, por trás do brilho e do glamour, escondiam-se receios legítimos de sanções e provocações do seu adversário.

“Quando vi o vestido pela primeira vez, senti-me como a Torre Eiffel à noite, toda iluminada”, confessou Osaka na conferência de imprensa após o jogo, comentando o seu visual que não passou despercebido. No entanto, a reflectividade do tecido trouxe-lhe nervosismo: “Fiquei preocupada porque, quando o sol bate no vestido, ele reflete muito. Tive medo que o árbitro me mandasse sair do court”, revelou a tenista japonesa, que levou até dois vestidos Nike de reserva para o caso de ser obrigada a trocar.

No ténis, as regras sobre acessórios brilhantes ou roupas altamente reflectoras são claras: o adversário pode queixar-se e o árbitro tem autoridade para pedir alterações se algo distrair ou prejudicar o jogo. Felizmente, o look de Osaka não causou incidentes durante o encontro.

Apesar do apoio público e até de agradecimentos à Nike pelo design, o visual de Osaka não escapou a críticas severas, principalmente depois das declarações da sua rival de 38 anos, Laura Siegemund. A alemã, que perdeu em sets diretos na Suzanne-Lenglen, não teve papas na língua ao ser questionada pela Eurosport Alemanha: “Não me interessa nada. Venho aqui para jogar ténis, não para desfilar.” Siegemund acrescentou ainda que, embora respeite quem queira usar a moda como expressão, acha problemático “que em todos os torneios se analise cada segundo até para abrir a garrafa de água.”

Para Naomi Osaka, contudo, a moda é uma extensão da sua identidade e forma de comunicar. No início deste ano, em Melbourne, voltou a surpreender com um conjunto inspirado em águas-vivas e borboletas, uma referência a momentos pessoais marcantes na sua carreira. “A inspiração foi obviamente a água-viva e as borboletas, que remetem para um momento meu em 2021,” explicou.

Esta relação íntima com a moda já é patente desde o US Open do ano passado, onde usou cores distintas para sessões de dia e de noite, revelando que os seus outfits a ajudam a transformar-se em personagens diferentes em court. “Sinto que, para mim, a moda é uma forma de falar quando não digo muito. Posso ser tão ousada quanto quero com cores, padrões e tecidos,” disse Osaka, que reconhece ainda a influência das irmãs Williams, especialmente Serena e Venus, pioneiras em revelar-se através da sua roupa.

Com a atenção redobrada para o seu segundo jogo contra Donna Vekić em Roland Garros, os fãs esperam não só uma prestação brilhante em termos desportivos, mas também mais afirmações audazes na moda. Naomi Osaka continua a desafiar as convenções do ténis, provando que no court, a sua voz é tão poderosa quanto o seu estilo.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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