Christian Pulisic e o peso da camisola 10 da Seleção dos EUA

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Poucos números no futebol carregam tamanho peso e mística como o mítico número 10. Usado por lendários como Pelé, Diego Maradona e Lionel Messi, este dorsal tornou-se sinónimo dos jogadores mais criativos e influentes da história da modalidade. Este verão, a camisola número 10 da Seleção dos Estados Unidos pertence a Christian Pulisic, o talento que carrega agora o fardo – e a honra – de representar a “Stars and Stripes” com este emblema.

Com 27 anos, Pulisic tem vindo a usar vários números ao longo da sua carreira na seleção norte-americana. Estreou-se com a camisola 17 em 2016, passou pelo 11 e, finalmente, assumiu o número 10, que usará nesta edição do Mundial em solo americano. A pressão é enorme, mas o médio ofensivo parece prosperar sob essa responsabilidade. Prova disso foi a sua exibição no primeiro jogo de preparação para o Mundial, diante do Senegal, onde marcou um golo e registou uma assistência, calando as críticas que lhe apontavam a seca de golos pela seleção desde 2024 e a sua irregularidade no AC Milan na segunda metade da temporada europeia 2025–26.

Ainda que não seja o capitão da equipa – essa honra pertence ao veterano defesa central Tim Ream –, Pulisic é quem simboliza a esperança e a criatividade da equipa norte-americana neste Mundial, o segundo que disputa em casa.

A ligação de Pulisic ao número 10 não é recente. A primeira vez que vestiu esta camisola foi em 2015, no escalão sub-17 dos EUA, mas só em 2016 começou a usá-la regularmente pela equipa sénior. Apesar de ser o principal dono do número, outros jogadores como Diego Luna, Alex Zendejas, Cristian Roldan e Jesus Ferreira já a envergaram em jogos em que Pulisic não esteve convocado.

Antes de Pulisic, o último a usar o número 10 numa fase final do Mundial foi Mix Diskerud, em 2014 no Brasil. Na edição anterior, em 2010, Landon Donovan era o dono da camisola, enquanto Claudio Reyna, pai do atual astro Gio Reyna, usou-a em 2002 e 2006. O histórico Tab Ramos foi o seu portador em 1998. Curiosamente, Pulisic será apenas o segundo jogador da seleção norte-americana a envergar o número 10 num Mundial disputado em casa, juntando-se a Roy Wegerle, que representou os EUA em 1994.

A história do número 10 na seleção norte-americana remonta a quase um século, ao defesa Bill Fiedler, que a usou numa partida nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. Esse encontro, contra a Itália, ficou marcado pela brutalidade dos italianos e pela polémica arbitragem, num contexto político e social muito tenso devido à ascensão do regime nazi. Fiedler, natural da Filadélfia e estrela da extinta American Professional Soccer League, terminou a carreira em 1940, mas deixou um legado que agora Pulisic retoma, tornando-se no mais recente jogador da Pensilvânia a vestir a icónica camisola num palco tão importante.

Este verão, Christian Pulisic não carrega apenas uma camisola, mas toda uma história de glória, responsabilidade e talento que marcou o futebol norte-americano. O número 10 está, mais uma vez, nas suas mãos – e o mundo estará atento a cada toque, passe e golo.

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