Um empate arrancado a ferros frente ao Uruguai, numa estreia mundialista repleta de nervosismo e expectativa, deixou a Arábia Saudita com um sabor agridoce e o mundo do futebol em alerta. A selecção saudita, sem o favoritismo dos adversários e com um treinador nomeado há apenas semanas, conseguiu travar a poderosa equipa sul-americana e somar um ponto precioso em Miami, logo no arranque do Grupo F do Campeonato do Mundo de 2026.
O encontro, disputado no Miami Stadium nas primeiras horas de terça-feira, ficou marcado pelo golo inaugural de Abdulelah Al Amri, defesa-central do Al Nassr, que aproveitou uma recarga após um canto, já perto do intervalo, para colocar os sauditas na frente. O lance surgiu na sequência de um cabeceamento de Hassan Tambakti defendido com dificuldade pelo guarda-redes uruguaio, mas Al Amri foi mais rápido e eficaz na recarga. Apesar do forte domínio uruguaio na segunda parte, a Arábia Saudita resistiu até aos 80 minutos, altura em que Maxi Araujo, após defesa incompleta de Mohammed Al Owais, restabeleceu a igualdade para a selecção celeste. O guarda-redes saudita, antigo jogador do Al Hilal, foi o herói improvável, somando nove defesas decisivas e recebendo o prémio de Melhor em Campo, numa exibição absolutamente decisiva para o desfecho final.

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Este empate ganha ainda mais peso se tivermos em conta o contexto do grupo: Cabo Verde, também tido como outsider, tinha conseguido travar a poderosa selecção de Espanha (campeã mundial em 2010) num nulo, na noite anterior. Assim, tanto a Arábia Saudita como o Uruguai ficam igualados com um ponto, e a luta pelo apuramento promete ser renhida e imprevisível. O resultado é especialmente relevante para a selecção saudita, que participa pelo terceiro Mundial consecutivo e procura provar que pode ser mais do que mero figurante na maior competição de selecções do planeta.
Georgios Donis, treinador grego que assumiu o comando técnico saudita apenas em finais de Abril, não escondeu o orgulho na postura dos seus jogadores no final do encontro. “Para nós, em três semanas estivemos a tentar estruturar o nosso jogo, construir a nossa identidade e melhorar o espírito da equipa. Quando enfrentamos certos adversários, conseguir um ponto é um evento positivo e funciona como um estímulo psicológico. Neste momento, ainda estou a tentar conhecer a minha equipa, estou a tentar conhecer os meus jogadores e perceber as suas características”, afirmou Donis na conferência de imprensa pós-jogo.
O técnico destacou ainda o desempenho consistente na primeira metade: “Podemos afirmar que, na primeira parte, tivemos bom controlo do jogo e criámos oportunidades para marcar, embora sem sermos muito decisivos.” No entanto, admitiu a quebra física e emocional na etapa complementar: “Na segunda parte, se alguém analisar, pode dizer que o cenário possível era termos a vantagem e pensarmos maioritariamente em defender. Já tínhamos marcado e quisemos segurar o resultado. Teremos estado cansados? Pareceu-me que sim, pois não tivemos a mesma intensidade. O adversário conseguiu penetrar mais vezes no nosso meio-campo.” Donis acrescentou ainda: “Não demonstrámos confiança suficiente para manter a posse de bola e alterar o ritmo do Uruguai, o que resultou em pressão constante perto da nossa baliza. Felizmente, tivemos um guarda-redes e uma defesa excepcionais hoje.”
Com este arranque encorajador, a Arábia Saudita prepara-se agora para enfrentar a Espanha, número três do ranking FIFA, já na próxima sexta-feira em Atlanta. O desafio não podia ser maior, mas o ponto conquistado frente ao Uruguai serve de tónico e pode ser determinante para as contas do apuramento. A prestação defensiva, aliada à coragem táctica e ao espírito de sacrifício evidenciado, deixa antever uma equipa capaz de surpreender e dificultar a vida aos favoritos. A expectativa é elevada: será que a Arábia Saudita conseguirá repetir a façanha e travar a armada espanhola, ou cederá perante a superioridade técnica dos ibéricos? Uma coisa é certa: depois da exibição frente ao Uruguai, ninguém se atreverá a subestimar os Green Falcons.
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