Naomi Osaka surpreendeu Wimbledon ao eliminar Aryna Sabalenka, actual número 1 do mundo, numa exibição que já faz sonhar Londres com o regresso da campeã aos grandes palcos. A japonesa de quatro títulos do Grand Slam quebrou todas as expectativas, impondo-se com autoridade e mostrando uma confiança renovada na relva sagrada.
No rescaldo da vitória, Osaka partilhou em conferência de imprensa qual considerou ser o segredo do seu sucesso frente à bielorrussa. “Do ponto de vista táctico, contra ela só se podem fazer certas coisas até certo ponto. Penso que, obviamente, somos ambas jogadoras que batem na bola com grande potência. Da minha parte, não me vou certamente pôr a correr por todo o campo à procura de provocar um erro dela. Só posso concentrar-me nos meus pontos fortes. Procurei servir realmente bem porque se joga em relva. Além disso, tentei tomar a iniciativa nas trocas de bola desde o início. E acredito que hoje isso funcionou muito bem”, explicou Osaka, visivelmente satisfeita com o plano posto em prática.

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Questionada sobre o que mudou para se sentir agora tão confortável a jogar em relva, a japonesa foi peremptória: “Sem dúvida, diria que, quando era mais jovem, a minha relação com a relva e com Wimbledon não era das melhores. Não tenho a certeza do motivo pelo qual este ano me sinto tão à vontade nesta superfície. Acho que fiz muitos exercícios com o Tomasz. A maioria nem era específica para a relva. Tratava-se sobretudo de reconhecer os esquemas de jogo e de me sentir confortável com o meu ténis. Honestamente, penso que ao longo do ano ele ajudou-me a sentir-me mais segura nos movimentos e nos planos de jogo contra as adversárias.”
Osaka falou também sobre a transformação mental que viveu depois de alguns resultados menos positivos, destacando um momento decisivo após a derrota em Roma: “As pessoas que estão ao meu lado, mesmo há muitos anos, sempre tentaram ajudar-me nesse aspecto. Acredito que a mudança chegou depois de Roma. Perdi contra a Iga de forma muito clara. Senti que me fechei completamente a todos. Literalmente apanhei um avião e fui para casa. Não foi o comportamento mais profissional. Não falei com a minha equipa. Fiquei muito envergonhada pelo que fiz. Depois desse episódio disse a mim mesma: ‘Hei, estou a aproximar-me dos 30 anos, tenho mesmo de aproveitar o tempo que tenho’. Obviamente, o ténis é muito, muito importante para mim, mas também tenho uma vida fora deste desporto. Tenho de dar ao ténis o valor certo, sem lhe atribuir uma importância excessiva”, confidenciou a antiga número 1 do mundo.
A vitória sobre Sabalenka pode marcar um ponto de viragem para Osaka nesta temporada, mostrando que está pronta para voltar a lutar entre as melhores.
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