Lucas Herbert e Sam Burns escreveram uma página inesquecível na história dos majors ao cada um registar um impressionante 62 no Open Championship disputado em Royal Birkdale. Apesar de igualarem o recorde do menor número de pancadas num só dia numa grande prova, as suas voltas não são tão extraordinárias quanto parecem quando analisadas em detalhe.
O evento decorreu em Southport, Inglaterra, numa sexta-feira memorável em que ambos os jogadores conseguiram oito pancadas abaixo do par. A chave do sucesso de Herbert e Burns esteve no seu jogo curto, com ambos entre os cinco melhores em “strokes gained” a partir do putting e da área à volta do green. Herbert destacou-se ao embocar quatro putts superiores a três metros, incluindo um de 10,5 metros para birdie no sétimo buraco. Burns, por sua vez, impressionou ao fazer dois putts a partir fora do green e garantiu o birdie decisivo no último buraco após um golpe de bunker. O australiano conseguiu ainda maior distância média por tacada, cerca de 15 jardas a mais que o americano, e acertou mais greens, mas Burns registou apenas 21 putts, um valor que, segundo o analista Justin Ray, é o mais baixo num Open nos últimos 25 anos.

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No entanto, quando comparadas com outras voltas de 62 em majors, as rondas de Royal Birkdale ficam aquém. A média de jogo no campo estava ligeiramente abaixo do par (69,79), o que torna o impacto relativo das suas voltas menos impressionante. Por exemplo, as 62 de Xander Schauffele e Rickie Fowler no U.S. Open de 2023 foram mais de 1,5 pancadas melhores em relação à média da concorrência. Historicamente, um desempenho de 7,79 pancadas abaixo da média do campo não chega sequer para entrar no top 200 das melhores voltas em majors. O recordista em termos estatísticos continua a ser Greg Norman, com um 63 no Royal St George’s em 1986, que superou a concorrência por mais de 10,5 pancadas.
Ainda olhando para 2023, as voltas de Herbert e Burns não figuram entre as 30 melhores da PGA Tour ou da DP World Tour em termos de vantagem face à média do dia. Curiosamente, nenhum dos dois jogadores alcançou o seu melhor desempenho pessoal neste Open: Herbert registou um 61 no LIV México que superou a média do campo em 10,43 pancadas, enquanto Burns fez um 65 no U.S. Open que foi 9,78 melhor do que a média.
Apesar de tudo, alcançar 62 num major é um feito extraordinário que colocou ambos os jogadores na história. Herbert, particularmente consciente da oportunidade, mostrou alguma frustração após falhar o putt para um 61. Ainda assim, as análises estatísticas indicam que há uma distância significativa para que estas voltas sejam consideradas entre as melhores de sempre no palco maior do golfe.
Este recorde surge ainda num debate contínuo sobre o nome oficial do torneio, conhecido por muitos como British Open, mas cujo título correto é Open Championship, conforme explicado pelo antigo presidente do R&A, Ian Pattinson. A dualidade na designação mantém-se, sobretudo nos Estados Unidos, onde o termo British Open é mais popular.
A proeza de Herbert e Burns em Royal Birkdale marca um momento de excelência no golfe, mas reforça que nem todos os 62 são iguais e que a verdadeira grandeza se mede também pelo contexto e pela superioridade estatística face aos adversários.
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