A ausência do presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, na final do Mundial entre Argentina e Espanha em Nova Jérsia causou surpresa e agitou o mundo do futebol. Ceferin escolheu boicotar o encontro decisivo como protesto contra várias decisões polémicas da FIFA, a entidade que rege o futebol mundial. Apesar de ter estado presente no jogo inaugural no México, entre os anfitriões e a África do Sul, recusou-se a marcar presença na final após uma série de desentendimentos com a FIFA.
A gota de água para Ceferin foi a decisão da FIFA de não suspender o avançado norte-americano Folarin Balogun, após uma intervenção do então presidente dos EUA, Donald Trump. A UEFA criticou duramente esta atitude, classificando-a como “inédita, incompreensível e injustificável”. Numa declaração oficial, a UEFA sublinhou que “quando a certeza das regras já não é garantida pelos seus guardiães, a integridade do jogo está em causa e a credibilidade de uma competição fica fragilizada”.
Além desta polémica, Ceferin manifesta forte oposição a várias inovações introduzidas pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino. Entre elas destaca-se a implementação de espectáculos musicais prolongados durante o intervalo, algo que a UEFA recusa incorporar na Liga dos Campeões ou no Campeonato da Europa. Artistas como Madonna, BTS, Shakira e Justin Bieber animaram o intervalo do Mundial, que teve uma duração recorde de 27 minutos e 22 segundos, mais que o dobro do habitual.
Outro ponto de discórdia prende-se com a proposta de alargar o Mundial para 64 equipas, ideia que Infantino deixou entrever durante o torneio e que a UEFA rejeita frontalmente. Ainda sobre a arbitragem, a UEFA tomou medidas distintas da FIFA, como a não aplicação do protocolo de identidade errada no VAR, que custou a expulsão do avançado suíço Breel Embolo nos quartos de final frente à Argentina. A UEFA também não aplica cartões vermelhos por jogadores que tapem a boca durante discussões, contrariamente à FIFA.
Este último ponto ganhou destaque após um caso controverso envolvendo o extremo do Benfica, Gianluca Prestianni, que foi suspenso por seis jogos devido a conduta homofóbica após um incidente na Liga dos Campeões. A mudança na aplicação dos cartões vermelhos foi uma ideia de Infantino, que pretendia criar um efeito dissuasor no Mundial.
A UEFA tem ainda criticado os preços elevados dos bilhetes para o Mundial nos EUA, adoptando uma política de congelamento dos preços para o Euro 2028, garantindo que os adeptos possam adquirir cinco ingressos pelo preço de um espaço de estacionamento num estádio norte-americano.
A ausência de Ceferin na final do Mundial representa uma clara demonstração de descontentamento com a FIFA e lança um alerta para a crescente tensão entre as duas maiores entidades do futebol mundial. Este boicote poderá ter repercussões no futuro das relações entre UEFA e FIFA, especialmente no que toca à organização e regulamentação das principais competições internacionais.
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