Jon Rahm lançou um alerta contundente sobre o problema crónico do ritmo lento no golfe, apelando a uma intervenção urgente antes que a situação se agrave ainda mais. O jogador espanhol, à entrada do LIV Golf no Reino Unido, criticou a falta de coerência nas regras que regulam o tempo de jogo, defendendo uma aplicação mais rigorosa das penalizações para quem atrasa o andamento das rondas.
Rahm explicou que, atualmente, um aviso por conduta incorreta dado numa quinta-feira mantém-se durante toda a semana, sem reiniciar, o que considera injusto. “Se recebes um aviso na quinta-feira, esse aviso fica para toda a semana, não reseta. Podes ser lento na quinta, o teu grupo recebe um aviso, tens tempo para recuperar, depois entras em contagem de tempo, e aí tens um último aviso antes da penalização. São três avisos possíveis ao longo de muitos outros. Mas na sexta-feira começas do zero outra vez. Isso não parece justo, certo?” afirmou o golfista, sublinhando a necessidade de alinhar as regras do ritmo de jogo com a disciplina do código de conduta, que é mais rigorosa.
O episódio que motivou Rahm a comentar esta disparidade aconteceu no Open Championship, quando recebeu um aviso por ter lançado o taco após um mau golpe no 15.º buraco, um par-3. Apesar do público ter pedido uma penalização de duas pancadas, como aconteceu com Joaquin Niemann no US Open, o espanhol recebeu apenas um aviso. Este contraste evidencia a falta de clareza e consistência na aplicação das regras.
O problema do ritmo lento não é novo e tem várias causas, segundo Alexander H. Revell, autor do livro Pro and Con of Golf, que aponta para o excesso de swings de prática, hesitações e a tendência para pensar demasiado cada jogada. Jogadores experientes como Colin Montgomerie já expressaram o seu descontentamento com os longos tempos de jogo em torneios.
Outros golfistas também deram a sua opinião. Bryson DeChambeau sugeriu a implementação de um sistema de cronometragem individual para cada jogador, com penalizações aplicadas isoladamente, em vez de castigar todo o grupo. Tyrrell Hatton admitiu não ter uma solução, mas reconheceu que as condições nos grandes campeonatos tornam as rondas naturalmente mais longas. Cameron Smith aceitou a lentidão como uma realidade no golfe de alto nível.
Além do mais, a dimensão dos campos em torneios como o US Open e o Open, que contam com 156 jogadores, agrava o problema, tal como referiu um especialista, comparando com o Masters, onde o campo mais reduzido ajuda a minimizar o impacto.
A questão do ritmo lento no golfe está longe de ser resolvida e, apesar das opiniões divergentes, existe um consenso sobre a urgência de encontrar uma solução eficaz. O apelo de Jon Rahm a uma aplicação mais rígida das regras e a uma maior clareza no código de conduta pode ser o ponto de partida para reformas que evitem que o ritmo lento continue a prejudicar a dinâmica do jogo e a paciência dos adeptos.
Discover more from Apito Final
Subscribe to get the latest posts sent to your email.
