O fim da era editorial de Tennis.com marcou o encerramento de um capítulo histórico na comunicação do ténis, deixando os adeptos profundamente nostálgicos. A plataforma, que era a extensão digital da icónica Tennis Magazine, decidiu encerrar a sua secção editorial, numa mudança que afastou jornalistas de renome e transformou o site num mero espaço de atualização de resultados.
Tennis.com, que acompanhava a revista impressa encerrada em 2022, foi durante anos uma referência para os fãs que procuravam reportagens detalhadas, entrevistas exclusivas e análises aprofundadas. A saída de nomes como Pete Bodo e Steve Tignor, que foram pioneiros em blogs de ténis como TennisWorld e Concrete Network, simboliza o afastamento do jornalismo tradicional em prol de um modelo mais orientado para dados e estatísticas. A nova abordagem do site privilegia a atualização em tempo real de resultados, estatísticas de confrontos e odds para apostas, ignorando a vertente narrativa que tanto cativava os leitores.
Esta transformação ocorreu numa altura em que Tennis.com integra a mesma rede do Tennis Channel, onde destaca o podcast Big T, com especialistas como Brad Gilbert, Mark Petchey e Andrea Petkovic. No entanto, o abandono da produção editorial provocou um sentimento de perda entre os fãs, que viam na plataforma o último elo com a tradição da revista que acompanhou lendas como Björn Borg, Jimmy Connors e Chris Evert — esta última participante ativa na criação de conteúdos e colunista desde 2000.
Nas redes sociais, a despedida do formato editorial foi sentida com tristeza. Um adepto lamentou a mudança para “uma simples folha de resultados”, enquanto outro confessou que a consulta diária do site se manteve por hábito, apesar da ausência de conteúdos escritos. A introdução da inteligência artificial foi apontada por alguns como um dos factores que acelerou o declínio do jornalismo impresso e tradicional, uma realidade que já provocou o encerramento de outros projectos como o Open Era Rankings.
Chris Evert, com a sua vasta experiência e contributo editorial, foi recordada como uma figura fundamental no desenvolvimento do produto e na ligação entre o ténis clássico e a sua divulgação moderna. “Aprendi todo o meu ténis com as instruções detalhadas na revista, onde também colaboraram Arthur Ashe e Jimmy Connors”, comentou um adepto, sublinhando o valor educativo e cultural da publicação.
Este encerramento assinala o fim de uma era para o jornalismo de ténis, numa altura em que as audiências mais jovens se afastam da leitura para preferirem formatos audiovisuais, como podcasts e transmissões em direto. A transformação digital e o impacto da inteligência artificial continuam a moldar o futuro da comunicação desportiva, deixando para trás um legado de escrita apaixonada e detalhada que Tennis.com e Tennis Magazine representaram durante décadas.
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