Gianni Infantino, presidente da FIFA, lançou um ultimato a todas as associações nacionais, oferecendo um pacote total de 10 mil milhões de dólares caso aceitem a sua proposta de vender participações em futuros Mundiais a investidores privados. Se não aceitarem os termos nos próximos seis semanas, o investimento disponível será reduzido a cerca de um quarto desse valor. Este anúncio vem após a revelação, pelo The Times, do plano de Infantino de criar uma empresa subsidiária que procuraria investidores dispostos a comprar entre 20% e 30% das ações dos principais torneios da FIFA.
As reações a esta proposta foram rápidas e intensas. O termo “bomba nuclear do futebol” foi utilizado por vários meios de comunicação para descrever a gravidade da situação. Segundo o comunicado, a FIFA oferece 40 milhões de dólares a cada associação nacional que concorde com a proposta antes do prazo que termina a 19 de setembro. “A decisão sobre prosseguir ou não com esta proposta pertence inteiramente a vocês”, escreveu Infantino na carta, conforme citado pelo The Times. O presidente acrescentou que, caso as associações optem por manter o statu quo, ainda existe o programa de expansão Forward, com um montante de 2,7 mil milhões de dólares.
Entretanto, o clima de confusão e descontentamento predomina entre as associações. A Federação Inglesa de Futebol declarou que estava completamente alheia à proposta e expressou preocupação pela falta de um processo adequado para discutir tais mudanças. Philippe Diallo, presidente da federação francesa, também revelou que ficou a conhecer o plano apenas através da imprensa. A Concacaf, que representa associações da América do Norte, Central e Caraíbas, manifestou a sua preocupação pela falta de processo e pela partilha pública de informações antes de qualquer discussão com as partes interessadas.
A reação da UEFA foi particularmente forte, considerando que o plano de Infantino “ultrapassou uma linha”. O órgão que governa o futebol europeu está a considerar ações mais drásticas, incluindo o boicote a futuras edições do Mundial. Informações dão conta de que várias nações europeias estão a ponderar esta possibilidade, com uma reunião virtual das 55 associações da UEFA agendada para discutir o tema. A tensão entre a UEFA e a FIFA continua a aumentar, com a primeira a posicionar-se como a voz da boa governança em contraste com as decisões controversas da entidade máxima do futebol.
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