# Dick Advocaat torna-se o treinador mais velho de sempre num mundial

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- Publicado: 2026-06-14T23:20:31+00:00
- Atualizado: 2026-06-25T22:43:45+00:00
- Publicação: Apito Final (apitofinal.pt)
- Secção: Internacional
- Tags: Alemanha, Grécia

## Em resumo

- Dick Advocaat, aos 78 anos, tornou-se o treinador mais velho de sempre a orientar uma selecção num jogo do Mundial, ao comandar Curaçau frente à Alemanha.
- O recorde anterior, de Otto Rehhagel (71 anos, em 2010), foi ultrapassado três vezes em quatro dias, incluindo por Hugo Broos e Miroslav Koubek.
- Advocaat regressou ao comando de Curaçau em Maio, depois de se ter afastado em Fevereiro por problemas de saúde da filha.

## Artigo

Dick Advocaat fez história e surpreendeu o mundo do futebol ao tornar-se, aos 78 anos, o treinador mais velho de sempre a orientar uma selecção num jogo do Mundial, ao comandar Curaçau na estreia frente à poderosa Alemanha, este domingo. O técnico holandês, conhecido pela sua longevidade e experiência em grandes palcos, bateu um recorde que parecia intocável, mas que foi pulverizado por três vezes em apenas quatro dias nesta edição do [Campeonato](https://apitofinal.pt/internacional/adeptos-japoneses-limpam-estadio-apos-empate-com-paises-baixos-no-mundial/) do Mundo de 2026.

O recorde de treinador mais velho em Mundiais tinha sido estabelecido em 2010 pelo grego Otto Rehhagel, então com 71 anos, destronando Cesare Maldini, que orientara o Paraguai aos 70 anos no Mundial de 2002. No entanto, esta marca que permaneceu imbatível durante 16 anos foi subitamente ultrapassada numa autêntica maratona de ultrapassagens durante a fase de grupos desta edição. Primeiro, Hugo Broos, seleccionador da África do Sul, tomou o recorde ao entrar em campo diante do México, já com 74 anos completados em Abril. Apenas cinco horas depois, o checo Miroslav Koubek, nomeado seleccionador da Chéquia em Dezembro de 2025, subiu ao topo da lista ao orientar a sua equipa aos 74 anos, quase 75, após uma longa carreira como guarda-redes e treinador de clubes europeus.

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No entanto, nenhuma destas conquistas resistiu ao regresso de Advocaat, que voltou a surpreender tudo e todos ao assumir novamente o comando técnico de Curaçau para o arranque do Mundial. Nomeado seleccionador da pequena ilha caribenha em 2024, Advocaat guiou a equipa à qualificação histórica em Novembro de 2025. Contudo, o treinador holandês viu-se forçado a afastar-se em Fevereiro deste ano devido a problemas de saúde da filha. Fred Rutten, então adjunto, assumiu provisoriamente o comando técnico, mas o destino e a vontade do plantel acabaram por devolver Advocaat ao banco: com a melhoria do estado de saúde da filha e a pressão dos jogadores e de um patrocinador que ameaçou retirar o apoio caso Rutten se mantivesse, Advocaat regressou em Maio para liderar a equipa no maior palco do mundo.

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Este feito não é apenas um marco pessoal para Advocaat, mas também um reflexo do seu percurso absolutamente invulgar no futebol mundial. Com uma carreira iniciada em 1980, o holandês já treinou a selecção masculina dos [Países Baixos](https://apitofinal.pt/internacional/japao-mantem-invencibilidade-frente-a-europeus-apos-empate-com-os-paises-baixos/) em três ocasiões, depois de ter passado brevemente pela equipa feminina em 1987. A sua carreira passou por clubes e selecções de praticamente todos os quadrantes do futebol global: Rangers, Borussia Monchengladbach, Zenit, Sunderland, Feyenoord, e ainda as selecções dos Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul, Bélgica, Rússia, Sérvia e até uma passagem pelo Iraque em 2021. Curaçau é, incrivelmente, o oitavo país que Advocaat orienta, o que lhe confere uma bagagem internacional ímpar.

À imprensa, o próprio Advocaat não escondeu a emoção pelo regresso ao activo e pela marca alcançada: “Nunca pensei que, a esta idade, ainda pudesse viver momentos como este. O futebol dá-nos sempre surpresas e sinto-me verdadeiramente privilegiado por estar aqui com esta equipa”, confessou após o jogo de estreia, visivelmente emocionado. O presidente da Federação de Futebol de Curaçau destacou o impacto do treinador: “A experiência do mister Advocaat é fundamental para a nossa selecção. Ele trouxe uma mentalidade vencedora e transformou o grupo.”

A importância deste recorde transcende a simples estatística: demonstra que a experiência pode ser decisiva no futebol de selecções, sobretudo em equipas “outsider” como Curaçau, que procuram inspiração e liderança para desafiar os favoritos. O feito de Advocaat lança também um novo debate sobre a idade e a longevidade no desporto de alta competição, mostrando que o conhecimento e a paixão podem sobrepor-se à barreira do tempo.

Com o Mundial ainda no início, resta saber se Advocaat conseguirá liderar Curaçau a uma campanha memorável ou se este recorde será apenas um capítulo simbólico na sua carreira lendária. Certo é que o treinador holandês já garantiu um lugar na galeria dos imortais da competição, enquanto a pressão e as expectativas aumentam para a selecção caribenha, que sonha agora com um percurso surpreendente sob a liderança do seu veterano comandante. O mundo ficará atento aos próximos jogos, onde se verá até onde Advocaat e os seus pupilos podem ir e se este recorde invulgar resistirá a futuras gerações de treinadores.

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