# Irão deixa mensagem de paz após empate com Bélgica no Mundial

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- Publicado: 2026-06-22T11:15:54+00:00
- Atualizado: 2026-06-25T22:33:03+00:00
- Publicação: Apito Final (apitofinal.pt)
- Secção: Internacional

## Em resumo

- O Irão empatou 0-0 com a Bélgica no segundo jogo do Grupo G, em Los Angeles, e deixou no balneário uma nota pedindo paz, respeito e amizade entre as nações.
- A nota, divulgada pela federação iraniana, refere um ataque a uma escola de raparigas em Minab, onde pelo menos 168 pessoas morreram no primeiro dia de guerra.
- A participação do Irão está envolta em polémica: membros da equipa técnica ficaram impedidos de entrar nos EUA por recusa de vistos, e a base da equipa passou de Arizona para Tijuana.

## Artigo

Uma nota manuscrita com um apelo à paz entre todas as nações, deixada pela selecção iraniana no balneário do Estádio de Los Angeles, está a dar que falar e a transformar o ambiente do Mundial. Após um empate sem golos frente à Bélgica, no segundo jogo do Grupo G, a mensagem do Irão está a gerar ondas de choque no seio da competição e a reacender o debate sobre o impacto do conflito no Médio Oriente no maior palco do futebol internacional.

O encontro entre Irão e Bélgica, disputado em Los Angeles, ficou marcado não apenas pelo nulo no marcador, mas sobretudo pelo gesto singular dos iranianos. “Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações”, escreveu a selecção iraniana, numa nota deixada no balneário e divulgada pela Federação de Futebol da República Islâmica do Irão (FFIRI). O texto continua: “Da antiga Pérsia de há milhares de anos ao Irão civilizado de hoje, o espírito do Irão mantém-se vivo e inabalável. Viemos para Los Angeles com orgulho, competimos com honra e saímos com dignidade. Obrigado Los Angeles pela hospitalidade. E obrigado a cada iraniano que deu o seu coração, voz e alma ao Irão nestes 180 minutos. Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações.”

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A nota refere ainda um trágico ataque a uma escola de raparigas em Minab, onde pelo menos 168 pessoas morreram no primeiro dia de guerra, sublinhando a profunda ligação entre o contexto desportivo e os dramas vividos no país. Esta mensagem assume particular importância num momento em que o Irão participa no Mundial enquanto decorrem negociações delicadas para pôr [fim](https://apitofinal.pt/nacional/bielsa-lamenta-empate-do-uruguai-e-admite-incerteza/) à guerra com os [Estados Unidos](https://apitofinal.pt/modalidades/tenis/andy-murray-devolve-confianca-a-jack-draper-antes-do-wimbledon/), anfitriões do torneio juntamente com Canadá e México.

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A presença do Irão no Mundial tem sido tudo menos tranquila. A equipa já tinha empatado 2-2 com a [Nova Zelândia](https://apitofinal.pt/internacional/courtois-e-beiranvand-brilham-no-empate-entre-belgica-e-irao-a-jogar-com-dez/) no jogo de estreia, também em Los Angeles, e prepara-se agora para defrontar o Egipto, a 27 de Junho, em Seattle, naquele que será o último jogo da fase de grupos. No entanto, a participação dos iranianos está envolta em polémica e tensão. Diversos membros fundamentais da equipa técnica foram impedidos de entrar nos [Estados Unidos](https://apitofinal.pt/internacional/vozinha-torna-se-estrela-mundial-apos-exibicao-historica-frente-a-espanha/) devido à recusa de vistos, obrigando a FFIRI a exigir à FIFA que “defenda os princípios de neutralidade, justiça e regulamentos estabelecidos” após a revogação da sua alocação de bilhetes na véspera do torneio.

Fruto destas restrições, o Irão viu-se forçado a alterar a sua base de operações de Arizona, nos EUA, para Tijuana, no México, tendo de cumprir regras de viagem extremamente rígidas: apenas podem entrar nos EUA um dia antes dos jogos e são obrigados a sair do país no próprio dia da partida. Este cenário levou o seleccionador Amir Ghalenoei, após o empate com a [Nova Zelândia](https://apitofinal.pt/internacional/cabo-verde-volta-a-surpreender-enquanto-salah-brilha-no-mundial/), a afirmar de forma contundente: “Somos a equipa mais oprimida deste torneio”.

Entretanto, Andrew Giuliani, director executivo da taskforce da Casa Branca para o Mundial, confirmou que “estão a decorrer discussões sobre os horários das deslocações do Irão para o jogo contra o Egipto”, mostrando que a situação está longe de estar resolvida e poderá ainda originar novos desenvolvimentos nas próximas semanas.

Com todos estes condicionalismos, a prestação desportiva do Irão acaba por ser secundarizada face à complexidade do contexto político e social que envolve a sua participação. Para além do apelo à paz, a selecção iraniana procura manter o foco dentro das quatro linhas e garantir uma passagem histórica à próxima fase, apesar de todas as adversidades externas.

O próximo jogo frente ao Egipto será decisivo tanto a nível desportivo como simbólico, podendo representar não só a continuidade na competição, mas também uma oportunidade para reforçar o seu apelo global à paz e ao respeito entre povos. Nos bastidores, o mundo observa atento, consciente de que o futebol, no caso do Irão, está actualmente a ser jogado muito para lá das quatro linhas do relvado.

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