# Mbappé salva França com dois golos após primeira parte desastrosa

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- Publicado: 2026-06-17T15:23:26+00:00
- Atualizado: 2026-06-25T22:42:17+00:00
- Publicação: Apito Final (apitofinal.pt)
- Secção: Internacional
- Tags: Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé

## Em resumo

- Mbappé marcou dois golos e a França venceu o Senegal por 3-1 na estreia no Mundial, depois de uma primeira parte desinspirada.
- Após o intervalo, Deschamps mexeu na equipa (Olise para o centro, Dembélé na direita), e a França ganhou intensidade e espaços.
- Barcola fez o 2-0 e Mbaye reduziu para o Senegal; Mbappé fechou com um remate de fora da área e alcançou 58 golos pela seleção.

## Artigo

Desapareceu toda a apatia e nervosismo do primeiro tempo: Kylian Mbappé entrou em cena e transformou o desastre anunciado numa estreia triunfante da França no Mundial. Após 45 minutos de futebol desinspirado e caótico frente ao Senegal, a estrela parisiense decidiu a partida com dois golos de classe, levando os adeptos franceses ao êxtase e silenciando críticas que já se começavam a formar.

A selecção francesa, apontada por muitos como favorita à conquista do Mundial, apresentou-se irreconhecível durante a primeira parte no Estádio New York New Jersey. Sem fluidez ofensiva e com as ligações completamente perdidas no ataque, os campeões de 2018 e vice-campeões de 2022 viam o Senegal dominar, pressionar e criar as melhores ocasiões, incluindo um remate ao poste por Nicolas Jackson. A ausência de entendimento entre Mbappé, Dembélé e Olise era gritante, com passes falhados e gestos de frustração entre os jogadores. Olise vagueava sem rumo pela direita, Désiré Doué pouco aparecia, e Dembélé e Mbappé colecionavam mal-entendidos, incapazes de criar verdadeiro perigo para a baliza africana.

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Do lado do Senegal, a organização e a agressividade no pressing complicaram ainda mais a tarefa francesa. A equipa africana parecia mais coesa, mais determinada e com uma ideia de jogo muito clara, o que levou um jornalista francês na bancada de imprensa a desabafar: “Oh la la la la la laaah”, perante mais um erro de Mbappé. O sentimento de desconforto era generalizado: os homens de Didier Deschamps pareciam uma equipa em construção, desorientada e sem soluções.

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No entanto, tudo mudou após o intervalo, fruto de uma conversa no balneário e de alterações táticas. Deschamps deslocou Olise para o centro e devolveu Dembélé à direita, procurando maior equilíbrio e ligação entre os sectores. A resposta foi imediata: a França aumentou a intensidade e começou finalmente a encontrar espaços. Olise viu Édouard Mendy negar-lhe o golo, Mbappé também ficou perto de marcar, e nem mesmo um penálti claro sobre Mbappé, ignorado pelo VAR e pelo árbitro Alireza Faghani, travou o ímpeto francês.

O momento decisivo surgiu aos 66 minutos, quando Olise, agora mais influente no meio, rasgou a defesa com um passe diagonal perfeito para Mbappé, que não perdoou frente a Mendy e igualou o recorde de 57 golos por França, pertença de Olivier Giroud. A partir daí, o adversário desmontou-se: Jackson ainda assustou com um golo anulado por fora-de-jogo, mas Rabiot aproveitou a desorganização senegalesa para lançar [Bradley Barcola](https://apitofinal.pt/internacional/contrato-de-ruben-amorim-com-o-ac-milan-alivia-custos-do-manchester-united/), que fez o 2-0 com um chapéu delicioso. O jovem Ibrahim Mbaye ainda reduziu para o Senegal, aos 82 minutos, mas a noite estava destinada a ser de Mbappé.

No último suspiro da partida, Olise voltou a encontrar Mbappé, que, de fora da área, disparou um remate impossível de defender, fixando o resultado em 3-1 e alcançando o 58.º golo internacional. “Ele disse-me que não queria bater o recorde num amigável, queria fazê-lo num jogo a sério. Quis fazê-lo aqui”, revelou Deschamps no final, em tom bem-disposto, sobre a voracidade de Mbappé.

Apesar da exibição desinspirada na primeira parte, a França acabou por confirmar porque é vista como uma das grandes candidatas ao título. A capacidade de resolver jogos complicados graças ao talento individual dos seus avançados — Mbappé, Olise, Dembélé — oferece à equipa uma margem de erro que poucas selecções podem sequer sonhar. “O Kylian foi eficiente, impiedosamente eficiente. Vão continuar a criticá-lo, mas ele é um jogador icónico. Pode falhar um jogo, mas numa acção decide tudo”, vincou Deschamps, sublinhando a importância do camisola 10.

Com este triunfo, a França entra com o pé direito na competição e afasta, para já, as dúvidas sobre a sua coesão e capacidade de resposta nos momentos difíceis. O próximo jogo servirá para perceber se a reacção da segunda parte é para manter ou se os fantasmas do arranque voltam a pairar sobre Les Bleus. Para já, o que fica é a certeza de que, com Mbappé em campo, tudo é possível — até transformar um início caótico numa vitória convincente. A pressão está agora do lado dos adversários, que sabem que basta um momento de génio para a França virar qualquer jogo.

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