# História do mundial prova que campeão raramente perde na estreia

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- Publicado: 2026-06-19T08:45:14+00:00
- Atualizado: 2026-06-25T22:37:51+00:00
- Publicação: Apito Final (apitofinal.pt)
- Secção: Nacional
- Tags: Campeonato do Mundo

## Em resumo

- Portugal empatou 1-1 com a República Democrática do Congo na estreia, e a imprensa pressiona o selecionador Roberto Martínez.
- Martínez relativizou o tropeço, recordando que Argentina (Qatar) e Espanha (2010) perderam ou empataram nos jogos iniciais e foram campeãs.
- O texto afirma que, em 22 fases finais, apenas duas campeãs perderam o jogo de abertura, e que a história favorece quem muda cedo.

## Artigo

Mudanças ousadas e decisões estratégicas marcaram o percurso dos maiores campeões mundiais, mas será que [Roberto Martínez](https://apitofinal.pt/nacional/carvalhal-defende-cristiano-ronaldo-apos-empate-de-portugal-no-mundial/) está preparado para arriscar o mesmo pelo sonho português? Depois do empate desapontante frente à [República Democrática](https://apitofinal.pt/nacional/martinez-elogia-ronaldo-mas-expoe-dilema-na-selecao-portuguesa/) do Congo (1-1), os holofotes viram-se para o selecionador nacional, pressionado a quebrar o ciclo e a procurar inspiração na história para levar Portugal à glória máxima.

Roberto Martínez não escondeu a frustração após o jogo, mas procurou relativizar o tropeço, recordando exemplos marcantes de campeões mundiais que também começaram mal: “O Mundial é um torneio onde estas coisas acontecem. Há momentos em que os desempenhos não estão ao nível. Relembrar que, no Mundial no Qatar, a Argentina perde contra a [Arábia Saudita](https://apitofinal.pt/nacional/sporting-resiste-a-propostas-milionarias-por-pote-pedro-goncalves-de-arabia-e-como/) e depois ganha o Mundial; em 2010, a Espanha perde contra a Suíça e ganha o Mundial. E esses não foram desempenhos de equipas que podem ser ganhadoras, mas foram. É um processo”, afirmou Martínez após o empate.

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Porém, a estatística não mente: em 22 fases finais de Campeonatos do Mundo, apenas duas selecções campeãs perderam o jogo de abertura. Ou seja, mais de 90% dos vencedores começaram o caminho com vitória, ou, pelo menos, com um empate. E mesmo nesses casos, houve consequências imediatas: mudanças no onze inicial, decisões arrojadas e respostas rápidas dos selecionadores.

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A história está repleta de lições para quem as quiser ouvir. Inglaterra, em 1966, empatou na estreia, mas Alf Ramsey não hesitou em mexer na equipa, alterando duas peças para o segundo jogo – e venceu, abrindo caminho para a conquista inédita. Itália, em 1982, foi exceção, mantendo o mesmo onze após o empate inicial, mas continuou a empatar até encontrar o rumo certo, num percurso singular. Espanha, em 2010, sofreu um choque com a derrota diante da Suíça. O selecionador Vicente Del Bosque reagiu de imediato, mudando duas posições na jornada seguinte e conquistando uma vitória fulcral. Argentina, em 2022, não fugiu à regra: [Lionel Scaloni](https://apitofinal.pt/nacional/argentina-e-inglaterra-destacam-se-pelas-rotinas-apos-estreia-no-mundial-2026/), pressionado pela derrota, revolucionou o onze e transformou o destino de uma equipa que parecia condenada, acabando campeã do mundo.

Martínez foi claro na conferência de imprensa ao defender a ideia de que “é um processo”, mas a história é implacável para quem insiste nos mesmos erros. Até Albert Einstein surge como referência indirecta, com a célebre frase: “Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”. O selecionador nacional terá de decidir se é altura de dar minutos a Trincão, Félix ou a um dos Gonçalos, sob pena de ver o sonho lusitano esfumar-se ainda antes de começar verdadeiramente.

A pressão cresce não só devido ao passado recente, mas também à exigência dos adeptos portugueses, que viram Portugal superar todas as expectativas no Euro 2016, mesmo sem vencer na fase de grupos. Contudo, nos Mundiais, o rigor é outro. As estatísticas não perdoam: quem não ganha cedo, raramente levanta o troféu. E, como demonstram os exemplos de Inglaterra, Espanha e Argentina, só a ousadia de mudar pode inverter a maré.

A próxima jornada será decisiva para Portugal e para Martínez. Um novo empate ou, pior ainda, uma derrota poderá significar o [fim](https://apitofinal.pt/internacional/estados-unidos-jogam-todos-os-jogos-do-grupo-no-mundial-no-oeste-do-pais/) precoce de mais uma campanha mundialista, deixando para trás uma geração de talento que não pode ser desperdiçada. A responsabilidade está agora nas mãos do selecionador espanhol: manter-se fiel às ideias ou arriscar, reinventar o onze e surpreender os adversários.

Se Martínez quer realmente inscrever o seu nome na lista restrita de campeões mundiais, terá de provar que aprendeu com a história – e, acima de tudo, que tem coragem para mudar quando Portugal mais precisa. Nos próximos dias, todas as atenções estarão centradas nas suas escolhas. O tempo para hesitações acabou. A hora de mudar é agora.

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