O último fim de semana trouxe à tona um espetáculo deplorável de arbitragem, e o que aconteceu no jogo entre Aston Villa e Newcastle serve como um exemplo gritante da falência do sistema de VAR. Desde o início da discussão sobre a introdução do VAR, muitos avisavam que a sua implementação poderia resultar numa diminuição da qualidade do trabalho dos árbitros. Não é preciso ser um especialista para perceber que a presença de câmaras para corrigir erros pode levar os árbitros a relaxar, perdendo a confiança nas suas próprias decisões. O caso de Lucas Digne, que claramente cometeu uma mão dentro da área e, ainda assim, viu o árbitro Chris Kavanagh a assinalar um livre na borda da área, é um exemplo claro desse problema.
Nick Greenhalgh, assistente do árbitro, estava a apenas 10 ou 15 jardas do lance e não conseguiu identificar a falha. A ausência do VAR neste jogo da Taça expôs as fraquezas dos árbitros que, sem a segurança do sistema, mostraram-se inadequados para a tarefa. Contudo, essa não é uma defesa do VAR, como alguns podem sugerir; é precisamente o oposto. A decisão em questão era clara e indiscutível. Nos tempos pré-VAR, um erro deste tipo teria sido corrigido. Agora, os árbitros parecem estar a perder a capacidade de concentração, confiando demasiado na tecnologia que, ironicamente, deveria melhorar o seu desempenho. O sistema que deveria ser a solução, na verdade, corrompeu a qualidade da arbitragem.
Muitos partilham a opinião de que o nível dos árbitros caiu drasticamente desde a introdução do VAR. A própria existência desta “manta de segurança” tornou a situação insustentável. Quando os comentaristas falam sobre o alívio de jogar sem VAR, é evidente que a frustração é generalizada. As falhas dos árbitros estão a ser usadas para justificar a presença do VAR, mas não é essa a função para a qual o sistema foi projetado. O que se observa agora é uma dependência crescente dos árbitros em relação ao VAR, que não deveria ter sido o objetivo inicial.
Apesar das queixas de jogadores e adeptos sobre a demora nas decisões, a PGMOL afirma que apoiará a decisão em campo sempre que possível. No entanto, a figura do árbitro parece cada vez mais obsoleta; eles passam o jogo à espera de orientações, transformando-se em meros facilitadores de decisões que deveriam ser suas. A autoridade que outrora tinham agora se esvai, e a sua presença em campo parece mais a de um funcionário burocrático do que a de uma figura de autoridade.
O sistema VAR, que apenas faz julgamentos parciais, não só tornou os árbitros menos eficazes, mas também destruiu a experiência do futebol. As decisões em campo estão a tornar-se cada vez mais questionáveis, o que, paradoxalmente, torna o recurso ao VAR mais necessário. Contudo, como o VAR só atua em áreas específicas e em momentos determinados, os árbitros têm de tomar decisões em outras partes do campo sem esse suporte, resultando em um colapso generalizado da qualidade das decisões.
Diante da crescente insatisfação com o desempenho dos árbitros, é inaceitável que as autoridades do futebol mantenham o status quo. Por que não ampliar o alcance do VAR para cobrir todo o campo em todos os momentos? Se os árbitros estão a demonstrar uma incapacidade crescente, por que não retirar-lhes o poder e deixá-los como meros porta-vozes do VAR? Esta solução radical pode ser a única forma de salvar o jogo da mediocridade.
Recentemente, uma decisão errada do VAR anulou um golo do Liverpool que estava em conformidade com as regras. Há duas décadas, tal erro teria sido corrigido. O mesmo aconteceu com um golo perfeitamente válido do Oxford e com várias situações de fora-de-jogo mal assinaladas do Arsenal. O que deveria ser um esforço para tornar as decisões mais precisas, acabou por resultar numa confusão ainda maior. A introdução do VAR provocou uma interrupção no jogo, uma espécie de “coitus interruptus”, que estraga a emoção dos golos.
Quando o VAR foi introduzido, muitos previam que, eventualmente, seria utilizado em todas as situações. Essa lógica torna-se cada vez mais evidente, dado que a fiabilidade dos árbitros parece estar em queda livre. A destruição provocada pelo VAR ainda não chegou ao fim. Somente quando as assistências começarem a decair é que algum tipo de mudança poderá ocorrer. Contudo, enquanto a cultura de queixa prevalecer, nada mudará.
