Mikel Arteta, o treinador do Arsenal, está sob pressão e não hesita em abordar uma questão crítica que tem afetado a equipa: as lesões inesperadas que ocorrem antes dos jogos. Este problema recorrente tem levado a alterações de última hora nas formações, e Arteta admite que uma reavaliação das rotinas de aquecimento pode ser necessária. Este ano, os Gunners já enfrentaram quatro situações em que jogadores saíram devido a problemas físicos antes dos encontros, uma situação que está a deixar a equipa em alerta máximo.
William Saliba, um dos pilares da defesa, foi forçado a abandonar o campo apenas cinco minutos após o início do jogo contra o Liverpool, devido a uma lesão no tornozelo que sofreu durante o aquecimento. Situações semelhantes ocorreram com Riccardo Calafiori, que teve que ser substituído na escalação antes do jogo da FA Cup contra o Wigan, e Bukayo Saka, que também saiu mancando antes do confronto com o Leeds. Esses incidentes têm sido uma preocupação crescente para Arteta, que não hesitou em expressar a sua frustração.
“Sim, estamos a analisar isso a fundo”, afirmou Arteta, referindo-se aos problemas dos aquecimentos. “Os casos foram muito diferentes. O primeiro foi com o Wilo (Saliba) que torceu o tornozelo contra o Liverpool. Depois tivemos dois incidentes com o Ricky (Calafiori) de forma muito semelhante. E depois o com o Bukayo (Saka), que descansou a meio da semana e não jogou contra o Kairat e teve esse incidente antes do Leeds. É algo muito incomum.”
Arteta salientou que, enquanto a frequência de lesões durante os aquecimentos era rara nos últimos seis anos, a atual temporada trouxe uma série de dificuldades que estão a moldar a sua abordagem como treinador. “Obviamente que estamos a olhar para isso”, disse. “Aconteceu quatro vezes nesta temporada, o que é preocupante.”
A pressão sobre Arteta aumentou, especialmente antes do recente jogo contra o Wigan. Ele admitiu que o stress pré-jogo está a afetar a sua forma de trabalhar: “Sim, posso sentir isso no meu corpo. Estou mais consciente disso. No escritório, ouço a porta e alguém a entrar e penso: ‘não, por favor!’” O treinador destacou a complexidade de ter que mudar a estratégia em cima da hora e como isso afeta a sua preparação e a da equipa.
“Quando trocas o Ricky pelo Bukayo, tens que mudar muita coisa na estratégia, posições, muitas coisas que são diferentes, e tens apenas dois minutos para fazer isso”, explicou. “Portanto, sim, isso torna-te um melhor treinador porque tens que estar sempre a pensar no ‘e se, e se’. E há cada vez mais ‘e se’ antes do jogo e durante o mesmo.”
Com tantas situações imprevistas, Arteta até sugeriu que o clube poderia reconsiderar a forma como os aquecimentos são realizados. Ele questionou a eficácia das rotinas habituais e ponderou a possibilidade de abolir completamente os aquecimentos. “Eu também fui jogador e gostamos de rotinas definidas, é assim que o nosso corpo se prepara”, afirmou. “É complicado mudar isso, mas é uma área que devemos explorar. O que aconteceria se não fizermos o aquecimento?”
Esta reflexão pode levar a uma revolução nas práticas de preparação do Arsenal, que procura não só mitigar as lesões, mas também otimizar a performance dos jogadores. Se Arteta decidir seguir em frente com esta mudança, poderá marcar um ponto de viragem na forma como as equipas se preparam para os desafios que têm pela frente. A questão agora é se a tradição deve ser sacrificada em busca de um Arsenal mais saudável e competitivo.
