Segunda-feira, Fevereiro 16, 2026

A insónia de Mourinho: A culpa é de todos, menos do próprio

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As insónias de José Mourinho são um reflexo de um cenário caótico no futebol português, onde a pressão e as expectativas se acumulam como uma tempestade. Enquanto ele se revirava na cama, contando carneiros e tentando encontrar um pouco de paz, a realidade dos clubes de Lisboa se tornava cada vez mais angustiante. A luta pela Taça da Liga em janeiro e fevereiro é decisiva, com o Benfica e o Sporting sob a ameaça de um colapso total da época. Para Mourinho, as noites mal dormidas são um sinal claro de que algo precisa mudar, mas a culpa, segundo ele, parece nunca ser sua.

A Taça da Liga, muitas vezes subestimada, pode ser um ponto de viragem crucial para os encarnados. Vencer a competição poderia dar um fôlego necessário, mas perder, especialmente contra o Dragão, seria catastrófico. Para o Benfica, a derrota significaria mais do que a perda de um troféu; seria o fim das suas esperanças de conquistar qualquer título nesta temporada. Com a distância crescente na tabela e a competição acirrada, a pressão sobre Mourinho e a sua equipa é imensa. “A época dos encarnados pode acabar no Dragão”, afirmam os analistas, sublinhando a gravidade da situação.

Mourinho, que chegou a ter um certo domínio na narrativa pública, agora vê os seus métodos questionados. O treinador continua a atribuir a culpa a tudo e todos – jogadores, árbitros, administração – mas raramente se responsabiliza pelas suas próprias decisões. Em jogos cruciais contra adversários como Atlético, Sporting e SC Braga, o discurso permanece inalterado, mas a frustração dos adeptos cresce. O que se espera agora é que ele use as suas insónias para refletir sobre a sua abordagem e encontrar soluções que levem a equipa a um caminho de sucesso.

Por outro lado, Rui Borges, o treinador do Sporting, também enfrenta uma tempestade. Desde que assumiu o comando, em dezembro de 2024, nunca viveu uma fase tão complicada. As lesões têm sido um verdadeiro tormento e a sua equipa, que antes liderava, agora luta para manter a sua posição. O embate no Dragão em breve poderá ser um divisor de águas: um empate transforma o sonho do tricampeonato numa miragem, enquanto uma derrota pode selar o destino da sua temporada.

Borges, apesar das dificuldades, mantém uma postura resiliente. Sem se queixar das adversidades, ele continua a procurar soluções em um contexto que frequentemente apresenta mais perguntas do que respostas. As suas expressões de desânimo durante os jogos recentes revelam a pressão intensa que enfrenta, especialmente quando as opções para substituir jogadores esgotam-se rapidamente. Curiosamente, até Mourinho, seu rival, acaba por oferecer uma trégua ao desânimo leonino, ao tornar a sua própria crise o foco da atenção mediática.

O que está em jogo para ambos os treinadores é muito mais do que a vitória em campo. É a sobrevivência das suas carreiras e a esperança de um futuro mais brilhante para os seus clubes. Com a pressão em alta, as insónias podem ser apenas o começo de um ciclo que poderá levar a mudanças drásticas nas equipas de Lisboa, numa liga que não perdoa e onde cada ponto conta.

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