As questões de racismo continuam a assolar o mundo do futebol, e a recente polémica envolvendo Vinicius Jr. e as alegações de abuso racista não poderia ter encontrado uma resposta mais contundente do que a do treinador do Chelsea, Liam Rosenior. O que aconteceu em Lisboa, durante o jogo da Liga dos Campeões, não é apenas um incidente isolado, mas um reflexo de um problema muito mais profundo que permeia a sociedade.
Na última terça-feira, após marcar o único golo da partida entre o Real Madrid e o Benfica, Vinicius Jr. teve uma troca de palavras com Gianluca Prestianni, do Benfica, e imediatamente dirigiu-se ao árbitro para relatar que tinha sido alvo de insultos racistas. Esta situação não apenas intensificou a discussão sobre o racismo no futebol, mas também foi agravada pelas declarações desconcertantes do treinador do Benfica, José Mourinho, que insinuou que Vinicius poderia ter provocado o abuso.
Em resposta a este incidente, Rosenior não hesitou em afirmar que a presença de qualquer pessoa condenada por racismo no futebol é inaceitável. “É perturbador,” disse o treinador. “É sempre necessário considerar o contexto. O que posso afirmar é que qualquer forma de racismo na sociedade, não apenas no futebol, é absolutamente inaceitável.”
Embora tenha escolhido não comentar diretamente as observações de Mourinho, Rosenior foi claro ao afirmar que a cor da pele de um jogador nunca deve influenciar a maneira como ele celebra um golo, um ponto crucial num debate que continua a dividir opiniões. Com um passado marcado por experiências de racismo, o ex-jogador, que teve uma carreira de 16 anos em clubes como Hull, Fulham e Brighton, partilhou a sua visão sobre esta questão.
“Eu próprio já fui alvo de abuso racial,” revelou Rosenior. “Conheço pessoas que passaram pelo mesmo, e o que as pessoas precisam entender é que ser julgado por algo de que deviam ter orgulho é a pior coisa que existe. Se algum jogador, treinador ou gerente for considerado culpado de racismo, não deveria ter lugar no jogo. É simples assim.”
Rosenior também enfatizou que a discussão sobre raça e género é complexa e que mudanças significativas são necessárias. “Sinto-me enojado, para ser honesto,” confessou o treinador. “Acho que a discussão vai além do futebol. É preciso haver mais responsabilidade para que esses comportamentos sejam eliminados.”
O apelo de Rosenior por uma mudança de mentalidade e responsabilidade não poderia ser mais pertinente. O incidente com Vinicius Jr. não é apenas uma mancha no desporto, mas um sinal de que a luta contra o racismo precisa de ser intensificada. É um momento que pede ação e reflexão, não apenas no mundo do futebol, mas em toda a sociedade.
