Scottie Scheffler, o atual número um do mundo, está a passar por uma fase de turbulência, e o seu desempenho no Genesis Invitational foi um reflexo claro desse estado emocional tempestuoso. Com um chapéu torto e uma frustração à vista, Scheffler não parecia o jogador imperturbável a que todos se habituaram. A pressão e a expectativa começaram a pesar sobre os ombros do campeão, levantando questões sobre a sua forma nas primeiras voltas e o seu temperamento em campo. Para esclarecer a situação, o psicólogo desportivo Dr. Bhrett McCabe não hesitou em dar um diagnóstico incisivo sobre o comportamento de Scheffler.
“Eu espero que, como competidor, isso te irrite”, afirmou McCabe. “Não há vantagem competitiva em mostrar raiva ao meu oponente. Não vou dar uma penalização desnecessária.” Estas palavras ecoam a luta interna que Scheffler tem enfrentado, especialmente depois de ter iniciado 2026 com uma vitória convincente no American Express, onde terminou com uma impressionante volta de 66, garantindo uma vitória por quatro golpes. Contudo, desde então, a sua performance nas primeiras voltas tem sido questionável.
Embora tenha terminado em T3 no WM Phoenix Open e em T4 no AT&T Pebble Beach Pro-Am, Scheffler começou essas competições com voltas de 73 e 72, revelando um padrão preocupante de arranques lentos. No Genesis Invitational, este padrão voltou a ser evidente, com uma primeira volta de 74, considerada por muitos como uma das piores da sua carreira. O impacto emocional foi palpável, com os fãs a testemunharem a sua frustração crescente. Após o sétimo buraco, Scheffler deixou cair o seu putter e caminhou para o oitavo buraco numa tentativa de se acalmar, uma estratégia que remete aos seus tempos de infância.
O seu treinador, Randy Smith, lembrou que, desde pequeno, Scheffler competia ferozmente contra qualquer um que encontrasse no campo. Embora tenha acumulado vitórias desde cedo, a sua resposta a derrotas era fugir, só para voltar em menos de quinze minutos à procura de um novo desafio. Este espírito competitivo é o que o distingue, mas também o que o leva a explosões emocionais, como a que ocorreu após um duplo bogey no oitavo buraco, onde disparou gritos de frustração e até bateu uma porta de um banheiro portátil.
Dr. McCabe, que já trabalhou com grandes nomes como Jon Rahm e Billy Horschel, alertou que estas explosões de raiva podem dar uma vantagem competitiva aos adversários. No entanto, a habilidade de Scheffler de limpar a mente após uma derrota em apenas quinze minutos poderá ser a chave para se recuperar rapidamente. De uma posição crítica, quase fora do torneio, Scheffler conseguiu um feito notável, subindo 21 posições após a segunda volta para terminar em T42, garantindo a sua passagem para o fim de semana com birdies em buracos cruciais e um par de sete pés no final.
O que distingue Scheffler é a sua constante concentração no jogo. O seu foco inabalável reside em jogar o seu melhor e em vencer, sem se preocupar com números ou recordes. O jogador de golfe, que já conquistou 20 títulos no PGA Tour, estabeleceu um recorde impressionante de 18 finais consecutivas entre os 10 primeiros. A última vez que ficou fora do top 10 foi no Players Championship de 2025, onde terminou em T20, uma estatística que faz com que a sua sequência atual seja ainda mais notável, superando até mesmo a de Tiger Woods, que teve apenas 8 consecutivas.
Contudo, quando questionado sobre os seus feitos, Scheffler foi claro: “Acho que 17 top-10 consecutivos é um bom resultado de muita consistência. Fora isso, não me poderia importar menos.” Este desapego em relação aos números, segundo o veterano Keith Mitchell, é uma característica que o torna superior a muitos outros profissionais do golfe.
Em suma, enquanto Scottie Scheffler pode parecer indiferente às suas estatísticas e recordes, é precisamente essa atitude que alimenta a sua determinação. A mesma raiva que o leva a momentos de frustração após um mau início também é o que o impulsiona a voltar ao caminho da vitória. Como sugere Dr. McCabe, essa emoção pode não ser uma falha, mas sim uma necessidade competitiva essencial para um atleta da sua grandeza.
