Após mais um episódio lamentável de racismo no futebol, os jogadores Hannibal Mejbri, do Burnley, e Wesley Fofana, do Chelsea, não hesitaram em expressar a sua indignação nas redes sociais. Ambos foram alvo de abusos raciais após o empate 1-1 entre as suas equipas na Premier League, um acontecimento que revela a persistência do racismo no desporto, mesmo em 2026.
Fofana, o defesa francês que recebeu um cartão vermelho por acumulação de amarelos na partida, partilhou várias capturas de tela de mensagens ofensivas que recebeu no Instagram. Em um post contundente, ele afirmou: “2026, continua a mesma coisa, nada muda. Essas pessoas nunca são punidas. Criam-se grandes campanhas contra o racismo, mas ninguém realmente faz nada.” As suas palavras ecoam a frustração de muitos que esperam uma mudança real e eficaz nas atitudes contra o racismo.
Por outro lado, Mejbri, internacional tunisiano, também não se calou. Ele publicou uma imagem de uma mensagem ofensiva e, em outro post, fez um apelo claro: “É 2026 e ainda há pessoas assim. Eduquem-se a vocês e aos seus filhos, por favor.” As suas declarações reforçam a necessidade urgente de educação e sensibilização para combater este flagelo.
O Chelsea não tardou a reagir, expressando-se “chocado e enojado” pelo abuso “vile” recebido por Fofana. O clube declarou: “Comportamentos como este são completamente inaceitáveis e vão contra os valores do jogo e tudo o que representamos como clube. Não há espaço para racismo.” A instituição reiterou seu apoio total a Fofana e a todos os jogadores que enfrentam este tipo de ódio apenas por exercerem a sua profissão. O Chelsea afirmou que vai colaborar com as autoridades competentes para identificar os responsáveis e tomar as medidas mais severas possíveis.
Da mesma forma, o Burnley condenou de forma veemente o abuso. Em uma declaração, o clube expressou que está “enojado” com o que aconteceu e que já reportou o incidente à Meta, empresa-mãe do Instagram. Eles esperam um forte apoio da plataforma, da Premier League e da polícia, garantindo que trabalharão incansavelmente para identificar e investigar o autor das ofensas. “Não há lugar para isso na nossa sociedade e condenamos sem reservas. Hannibal receberá todo o apoio do clube e dos fãs do Burnley, que já mostraram sua indignação diante do abuso. Não há espaço para racismo.”
A Premier League também se manifestou, afirmando que qualquer indivíduo identificado e considerado culpado de discriminação enfrentará as mais severas consequências, incluindo proibições de clubes e processos legais. Este incidente é apenas mais um na longa lista de abusos raciais que os jogadores têm enfrentado nesta temporada, seguindo-se a uma investigação da UEFA sobre o abuso racial dirigido ao jogador Vinicius Jr, do Real Madrid, durante um jogo da Liga dos Campeões.
Casos anteriores, como o de Joe Willock, do Newcastle, e de Mathys Tel, do Tottenham, mostram que o problema é persistente e que a luta contra o racismo no futebol ainda está longe de ser vencida. A BBC Sport já entrou em contacto com a Meta para obter uma resposta sobre este assunto.
A luta contra o racismo no desporto precisa de um esforço coletivo e contínuo. As declarações de Fofana e Mejbri são um grito de alerta de que a educação e a ação são essenciais para erradicar este comportamento inaceitável. O desporto deve ser um campo de igualdade e respeito, e é responsabilidade de todos nós garantir que isso se torne uma realidade.
