Segunda-feira, Fevereiro 23, 2026

A violência dos cartéis no México e o impacto no Mundial de Futebol

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A recente escalada de violência associada aos cartéis de droga no México levanta sérias interrogações sobre a segurança da Copa do Mundo da FIFA, agendada para este verão. Especialistas consultados pela BBC Sport alertam que o co-anfitrião do torneio pode enfrentar uma crise de segurança sem precedentes, resultante dos confrontos armados que começaram a eclodir nas últimas horas.

A explosão de violência está diretamente ligada ao Jalisco New Generation (CJNG), um dos cartéis mais temidos e poderosos do país, que lançou um ataque em resposta à morte do seu líder, Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, durante uma operação militar. As ruas da região central-oeste de Jalisco, onde a situação de segurança foi elevada a código vermelho, tornaram-se cenários de tiroteios, bloqueios de estradas e veículos incendiados. As imagens divulgadas nas redes sociais mostram homens armados patrulhando as ruas e fumaça subindo sobre as cidades.

Guadalajara, a capital de Jalisco e uma cidade com mais de um milhão de habitantes, está programada para receber quatro jogos do torneio. Além disso, a Cidade do México terá cinco partidas, enquanto Monterrey receberá outras quatro. O impacto desta violência poderá ser devastador para a logística e a segurança dos turistas que viajam para o evento.

Javier Eskauriatza, professor assistente de direito penal na Universidade de Nottingham, afirma: “Quando se pressiona os cartéis, há uma reação – o perigo é que pode ser muito difícil controlar uma situação de segurança que se descontrola.” A morte de El Mencho criou um vácuo de poder que pode levar a um período de instabilidade, com facções rivais lutando pelo controle.

Apesar da brutalidade dos cartéis, Eskauriatza observa que eles possuem um interesse econômico em garantir que a Copa do Mundo transcorra pacificamente. “Sim, eles subornam políticos e forças policiais locais, mas também investem em restaurantes e hotéis. Faz parte do sistema econômico deles. É útil para eles que britânicos, americanos e outros turistas venham ao México, gastem seu dinheiro e se divirtam”, explica.

A violência do CJNG, avaliada em mais de £10 bilhões e com dezenas de milhares de membros, já resultou em massacres, sequestros e assassinatos de políticos desde a sua formação em 2009. No entanto, algumas figuras do cartel gozam de uma certa popularidade nas comunidades locais, por contribuírem para a infraestrutura e serviços locais.

Dr. Karina Garcia-Reyes, professora sênior de criminologia na UWE Bristol, menciona que o risco para os turistas é moderado: “A menos que mais operações militares sejam realizadas esta semana, espero que as autoridades nas áreas mais afetadas consigam lidar com os riscos potenciais, portanto, no geral, espero que os turistas estejam seguros, desde que sigam as indicações das autoridades.”

A preocupação com a segurança no México não é nova; já havia críticas em relação ao planejamento da segurança do Mundial, especialmente após a militarização das forças policiais nos EUA sob a administração de Donald Trump, que resultou em várias tragédias. Agora, todos os olhos estão voltados para o México, que deve assegurar a segurança dos torcedores que pretendem viajar para o evento.

Recentemente, quatro partidas de futebol, duas da primeira divisão e duas da segunda, foram adiadas devido à violência. A população mexicana espera que essa situação seja um evento isolado, mas as incertezas persistem enquanto o CJNG continua a sua campanha de terror. A pergunta que permanece é: será que o México conseguirá garantir a segurança necessária para a celebração do futebol mais importante do mundo?

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