A saga se desenrola no mundo do golfe, com a PGA Tour a considerar seriamente a possibilidade de acolher as exigências de Jon Rahm e outros grandes nomes do desporto, no contexto da campanha para elevar o Players Championship à categoria de “quinto major”. Este torneio, que há décadas ambiciona o título, ganhou nova vida sob a liderança de Jay Monahan, mas agora enfrenta um desafio significativo: a ausência de estrelas como Rahm, Bryson DeChambeau e Tyrrell Hatton, que optaram por permanecer na LIV Golf.
Recentemente, o Golf Digest lançou uma provocação nas redes sociais, questionando se o Players Championship poderia um dia ser reconhecido como um major. O diretor do torneio, Lee Smith, não hesitou em confirmar essa ambição durante a apresentação para a mídia do mês passado, afirmando que isso demonstra a confiança e o impulso da organização. Contudo, a 52ª edição do Players Championship, que se inicia esta semana, não contará com os seus principais protagonistas, o que levanta questões sobre a legitimidade da sua busca por um estatuto maior.
As quatro grandes competições do golfe mantiveram a sua relevância ao longo das disputas no desporto precisamente porque se recusaram a tomar partido. O Masters, o U.S. Open, o PGA Championship e o The Open abriram sempre as suas portas a qualquer jogador que conseguisse qualificar-se, independentemente do circuito que o contratasse. Essa universalidade é a base da sua autoridade. Por outro lado, o Players, sendo um evento exclusivo da PGA Tour, não pode replicar essa filosofia. Phil Mickelson foi claro em fevereiro, afirmando que “não se pode proibir quatro dos dez melhores do mundo e chamar-se a si mesmo de major”. Lee Westwood foi ainda mais longe, desafiando Brian Rolapp a convidar os 15 melhores jogadores da LIV como um teste para observar o que um campo aberto realmente significaria.
Um informante da PGA Tour revelou que jogadores da LIV poderiam, no futuro, ter a possibilidade de se qualificar para o Players. Se isso acontecer, poderá ser o mínimo necessário para que o torneio seja considerado um major. Contudo, a geografia é um fator complicador, uma vez que três dos quatro majors já se realizam nos Estados Unidos. A adição de um quinto, sempre jogado num campo de propriedade da tour na Florida, oferece aos críticos na Europa e na Ásia um argumento sólido.
A influência do Augusta National é inegável. O Masters marca o início da temporada de golfe, e, embora a realização do Players em março não interfira nesse calendário, a sua elevação à categoria de major nessa época poderia ser problemática. Algumas vozes dentro da PGA Tour sugerem que o Players teria de ser deslocado para maio, o que por sua vez empurraria o PGA Championship para agosto – uma mudança que já ocorreu no passado.
A campanha para a nova classificação já começou. Russell Henley, durante o Arnold Palmer Invitational, afirmou que sempre considerou o Players como um major, sublinhando a complexidade do campo que “recompensa grandes tacadas”. Em contrapartida, Rory McIlroy, em Pebble Beach, defendeu a visão tradicional: “Temos quatro campeonatos maiores. É o Players. Não precisa ser mais nada.”
Se a PGA Tour pretende redefinir o que constitui um major, é importante frisar que a definição atual não é tão antiga quanto muitos pensam. Torneios como o Western Open e o Canadian Open já foram considerados majors, assim como campeonatos amadores, até que uma comissão de pesquisa liderada por Deane Beman, na década de 1980, decidiu que apenas os torneios profissionais contariam para a contagem de majors.
A atual concepção dos majors não surgiu por acaso. O Augusta National, ao trazer Grantland Rice, um dos membros fundadores e destacado jornalista desportivo, para elevar o perfil do Masters, e a colaboração de Bob Drum, que moldou o conceito moderno de Grand Slam com Arnold Palmer, foram fundamentais para a construção do legado do golfe.
Atualmente, a PGA Tour parece seguir uma abordagem semelhante, com Rolapp a não esperar por aprovação. O plano é construir o caso de forma discreta, para que quando os organismos reguladores forem finalmente consultados, a decisão pareça lógica. No entanto, até que os lugares vazios em Sawgrass sejam preenchidos, a situação não mudará. O mundo do golfe observa atentamente, à espera de um desfecho que pode alterar o rumo do desporto.
