Mikel Arteta, o treinador do Arsenal, não poupou críticas à sua equipa após o desapontante empate 1-1 com o Bayer Leverkusen, evidenciando uma complacência inusitada que se apoderou dos jogadores. O técnico expressou a sua frustração, afirmando que o seu plantel “sabia” dos perigos que os rivais da Liga dos Campeões apresentavam, mas mesmo assim não conseguiram evitar a armadilha.
Na primeira mão do seu confronto nos oitavos de final, os Gunners tiveram sorte em sair de Leverkusen com um empate. Após uma primeira parte apagada, os anfitriões abriram o marcador logo a um minuto do recomeço, aproveitando um canto bem trabalhado. O jovem Kai Havertz, em um momento de emoção, converteu um penalti aos 89 minutos, garantindo um ponto para a sua antiga equipa. Contudo, o estado de espírito de Arteta era tudo menos otimista.
O golo inaugural do Bayer Leverkusen foi um duro golpe para o treinador, que tem orgulho na superioridade da sua equipa nos lances de bola parada. Momentos antes do golo, Martin Terrier quase tinha feito o 1-0 com uma jogada ensaiada, mas o guarda-redes David Raya conseguiu desviar o cabeceamento. No entanto, não conseguiu evitar o remate de Robert Andrich, que acabou por marcar. “Discutimos isso ao intervalo e esperávamos que eles começassem muito rápidos, especialmente porque conhecíamos certas rotinas que eles têm em cantos. No entanto, mesmo assim, fomos apanhados”, desabafou Arteta. “Não estávamos prontos o suficiente.”
Quando questionado sobre a forma como os jogadores do Leverkusen conseguiram criar uma jogada tão eficaz, Arteta respondeu de forma incisiva. “Existem sempre dois lados para essa questão. Um é a capacidade do adversário em explorar a nossa fraqueza, e o outro somos nós, porque sabíamos e mostramos três clipes de momentos da última jornada, e mesmo assim não estávamos preparados.”
Nesta temporada, o Arsenal tem sido alvo de várias críticas, incluindo acusações de perda de tempo e dependência de lances de bola parada, mas a complacência não tinha sido um tema abordado. O golo de Andrich, logo a abrir a segunda parte, foi apenas a quarta vez que os Gunners sofreram um golo nos primeiros cinco minutos do segundo tempo. Em contraste, marcaram oito vezes nesse mesmo intervalo.
O treinador de lances de bola parada do Arsenal, Nicolas Jover, teve um momento tenso após o jogo. Conhecido por ter um mural em Londres, Jover viu a sua reputação abalada quando a sua equipa sofreu um golo de canto. O treinador do Bayer, Kasper Hjulmand, foi até ele e, em tom de provocação, comentou: “Vocês também fazem isso, não é?” Hjulmand, que elogiou o Arsenal antes da partida, admitiu que se inspirou nas rotinas de Jover. “Estou apenas a questionar, é realmente permitido fazer bodycheck e derrubar jogadores sem a bola?” refletiu o técnico dinamarquês.
O Arsenal, com certeza, não conseguiu apresentar um desempenho convincente. Durante a primeira parte, a equipa mal conseguiu ameaçar o Leverkusen. A única oportunidade digna de nota surgiu de um rápido entendimento entre os jogadores, mas Gabriel Martinelli viu o seu remate embater no travessão. Após o golo sofrido, Arteta reconheceu que a sua equipa não demonstrou sinais de resistência. “Tivemos 10-15 minutos em que não criámos ameaças suficientes nem tivemos o entendimento necessário para atacar o bloqueio defensivo deles,” lamentou.
A situação do Arsenal levanta questões sobre a capacidade da equipa em lidar com a pressão em momentos cruciais, especialmente em grandes competições como a Liga dos Campeões. Com as expectativas elevadas e a necessidade de um desempenho sólido, a pressão aumenta sobre Arteta e os seus jogadores. O que se segue para a equipa londrina? A resposta pode muito bem definir o seu futuro na competição.
