A recente controvérsia envolvendo a atribuição da Taça das Nações Africanas (CAN) de 2025 a Marrocos provocou um verdadeiro furor no mundo do futebol. A Federação Senegalesa de Futebol (FSF) não ficou calada e decidiu levar a situação ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), contestando a decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de declarar Marrocos como vencedor. O presidente da FSF, Abdoulaye Fall, acompanhado de uma equipa de sete advogados, fez declarações contundentes durante uma conferência de imprensa em Paris, antes do amistoso entre Senegal e Peru.
Fall não poupou críticas à forma como a CAF conduziu o processo. Segundo ele, a audiência foi marcada por uma série de irregularidades, onde os senegaleses se viram forçados a esperar sem qualquer informação, apenas para serem informados pelos representantes marroquinos que a audiência havia terminado. “Foi absurdo. Foi assim que os direitos foram violados. Um atentado aos direitos da defesa, ao futebol, à disciplina desportiva”, declarou Fall, alertando que tal situação poderia levar a que o próximo vencedor do Mundial fosse decidido em escritórios de advogados, ao invés de em campo.
O presidente da FSF deixou claro que não há acusações específicas contra Marrocos, mas enfatizou que existem motivos suficientes para solicitar uma investigação penal internacional. Serge Vittoz, um dos advogados presentes, reforçou que, caso um pedido de processo acelerado seja aceite, um veredicto sobre a atribuição da CAN poderá ser alcançado em apenas dois meses. “Ainda não se fala de corrupção. O que os nossos adversários querem é uma medalha envenenada. Vamos procurar as causas desse veneno, parece-nos podre e chamamos isso de penal”, disse Vittoz, acentuando a firme determinação da FSF em contestar o resultado administrativo.
Pierre Olivier Sur, outro advogado da FSF, também se mostrou confiante: “Marrocos não foi nomeado campeão. Eles ganharam 3-0 [na secretaria], mas não são vencedores da CAN. A Federação e os seus advogados não temem nada.” Com estas declarações, a FSF não apenas se posiciona como defensora da justiça desportiva, mas também como uma entidade que se recusa a aceitar decisões que considera injustas.
Enquanto o Senegal se prepara para exibir o troféu da CAN em campo, a expectativa sobre o desfecho deste embate jurídico aumenta. A questão que se coloca é: se o mundo do futebol permitir que decisões como esta prevaleçam, que futuro se vislumbra para a integridade do desporto?
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