Francesco Farioli não escondeu a indignação após o empate amargo do FC Porto contra o Famalicão (2-2), em jogo da 28.ª jornada da I Liga, e lançou críticas contundentes à arbitragem que voltou a condicionar os dragões. Numa análise direta e sem meias palavras, o treinador italiano denunciou o que descreveu como “áreas cinzentas” que, na sua opinião, estão a tornar-se “cada vez mais verdes” — uma alusão clara às decisões polémicas que têm marcado o campeonato português e que, segundo ele, prejudicam de forma cada vez mais evidente a equipa portista.
Na conferência de imprensa após o encontro, Farioli foi questionado sobre a ausência de Gabri Veiga e a saída precoce de Rodrigo Mora, que deixou o FC Porto sem o seu típico 10 em campo. “Em características, acho que a interpretação do Seko [Fofana] e do Victor [Froholdt] foi ok. Isto faz parte do futebol, não podemos estar sempre ao melhor nível, com suspensões, lesões… Hoje acho que tínhamos qualidade suficiente para outro resultado, mas não deixámos em campo tudo o que devíamos”, frisou o treinador, assumindo que a equipa podia ter feito mais para garantir a vitória.
O empate custou caro aos dragões, que perderam dois pontos de vantagem sobre o Sporting, a principal rival na luta pelo título. Farioli não escondeu a frustração pela oportunidade perdida e voltou a apontar o dedo à arbitragem. “Hoje era muito importante vencer, não foi o nosso melhor jogo, mas tivemos os nossos momentos e é sempre muito doloroso comentar as mesmas coisas, mas as imagens de hoje são muito claras e isto são problemas que se repetem cada vez mais”, apontou, antes de ser incisivo: “Acho que a ação do Deniz Gul é um penálti claro. As áreas cinzentas estão a ficar cada vez mais verdes e é pena a atenção mediática internacional que a liga está a ter, o futebol português não merecia isso, mas é o que é.”
Farioli lembrou ainda o slogan do FC Porto, que lhe foi transmitido logo no primeiro dia: “jogar contra tudo e contra todos”. Para ele, esta máxima continua mais atual do que nunca e serve de motivação para a equipa: “A mensagem é muito clara, estamos a ter um reforço de que teremos de duplicar os esforços para atingirmos o que queremos e o que merecemos.”
Quanto ao estado físico do avançado uruguaio Rodrigo Mora, que saiu lesionado ainda na primeira parte, o técnico mostrou-se cauteloso: “Não sei, vai ser difícil recuperar, mas vamos ver amanhã.” A dúvida sobre a sua disponibilidade para o jogo decisivo da quinta-feira, contra o Nottingham Forest, paira no ar e preocupa os portistas.
Este empate deixa o FC Porto numa situação delicada na reta final do campeonato, com a liderança a ficar mais vulnerável e a pressão a aumentar. As declarações fortes de Farioli refletem não só a frustração pela perda de pontos, mas também a crescente tensão em torno da arbitragem portuguesa, que volta a ser alvo de críticas públicas e polémicas que ameaçam manchar a credibilidade da I Liga.
O FC Porto enfrenta agora um desafio duplo: recuperar a forma e responder dentro de campo às adversidades que parecem crescer fora dele. E enquanto as “áreas cinzentas” da arbitragem continuam a ser um tema que incomoda, a equipa terá de provar que está preparada para lutar contra tudo e contra todos, tal como manda a sua tradição. A guerra está lançada e os dragões prometem não baixar os braços.
Este artigo aparece primeiro em Apito Final.
