Abel Ferreira lança farpas ao VAR após empate amargo do Palmeiras na estreia da Libertadores 2026
Num arranque da Taça Libertadores que prometia ser avassalador para o Palmeiras, campeão moral da edição anterior com uma fase de grupos perfeita, o cenário foi bem diferente. O emblema brasileiro cedeu um empate por 1-1 frente ao Junior Barranquilla, em pleno Cartagena, e viu o técnico português Abel Ferreira não poupar críticas mordazes à arbitragem, em particular ao VAR, que voltou a ser protagonista, mas desta vez numa polémica que reacende velhas feridas.
Logo aos 10 minutos, o árbitro, auxiliado pelo videoárbitro, assinalou um penálti após um contacto entre Mauricio, defesa do Palmeiras, e Rivas, jogador colombiano. Abel Ferreira não hesitou em reconhecer o castigo máximo, mas aproveitou para deixar uma ironia carregada de significado: «Vê-se claramente que o Maurício quer tirar o pé, mas há um contacto. Parece que este ano o VAR vai funcionar. Isto é bom, no ano passado o VAR da Conmebol não funcionou e este ano parece que vai funcionar, e isso é bom. Realmente houve o toque.»
O treinador português não esquece a final da Libertadores de 2025, onde o Palmeiras se sentiu profundamente prejudicado. Naquela decisão, um lance polémico onde Erick Pulgar, do Flamengo, agrediu Bruno Fuchs sem bola não foi devidamente sancionado pelo VAR, limitando-se a um cartão amarelo, e o Flamengo acabou por levantar o troféu. Agora, com a estreia na temporada 2026, Abel Ferreira deixa claro que espera justiça e consistência nas decisões que influenciam o rumo da competição mais prestigiada da América do Sul.
O empate chegou aos 56 minutos, quando Ramón Sosa, aproveitando um passe primoroso de Flaco López, ultrapassou o guarda-redes e restabeleceu a igualdade em Cartagena. Um golo que penalizou a equipa brasileira, que, apesar de dominar a partir da meia hora de jogo, não conseguiu traduzir o domínio em golos decisivos.
Além da polémica com o VAR, Abel Ferreira admitiu que a sua equipa técnica foi surpreendida pela estratégia inesperada do Junior Barranquilla, que se apresentou com uma linha defensiva de três elementos, por vezes expandindo para cinco, seis e até sete jogadores em certos momentos do jogo. «Não posso mentir, sim, não estávamos à espera que o adversário viesse com uma linha de cinco, e às vezes de seis e às vezes de sete», confessou o treinador. «O Junior entrou mais dinâmico, mais fresco, mais agressivo, mas a partir dos 30 minutos até ao final só deu Palmeiras. Criámos muito, só faltou fazer mais um golo num relvado difícil de jogar para quem tem de propor e criar.»
Este empate deixa o Palmeiras com apenas um ponto no Grupo F da Libertadores 2026, grupo que ainda inclui o Junior Barranquilla, os peruanos do Sporting Cristal e os paraguaios do Cerro Porteño. O alerta está lançado: o caminho para revalidar o título será duro, e o VAR, volta e meia, continua a mexer com os nervos do treinador português e dos adeptos brasileiros.
Abel Ferreira, conhecido pela sua postura combativa e pelo discurso frontal, não esconde a frustração, mas mantém a ambição intacta. O Palmeiras sabe que a luta na Libertadores não será para os fracos — e a arbitragem, uma vez mais, pode fazer a diferença.
Palmeiras estreia-se na Libertadores 2026 com polémica e empate amargo: Abel Ferreira não perdoa VAR e desafia a justiça na competição sul-americana. A batalha está lançada.
Este artigo aparece primeiro em Apito Final.
