Farioli fala sobre pressão e desafios antes do duelo com o Estoril

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Num momento crucial da temporada, quando o FC Porto se prepara para um confronto decisivo contra o Estoril na Amoreira, o treinador Francesco Farioli quebra o silêncio e lança uma mensagem direta, sem rodeios, sobre a pressão que assola o líder da Liga. Com uma postura firme, o técnico italiano afasta as especulações e as «narrativas» que, segundo ele, só servem para vender jornais, focando a sua equipa no que verdadeiramente importa: o presente.

Farioli começa por reconhecer a qualidade do adversário: «Vamos defrontar uma equipa que tem tido uma época muito positiva. Praticam um futebol muito ofensivo e é uma equipa cujos jogos têm habitualmente muitos golos. É um dos melhores ataques da Liga, por isso é, sem dúvida, um jogo complicado. Da nossa parte, precisamos de entrar em campo com o espírito adequado e na nossa melhor forma.»

Questionado sobre a redução da vantagem pontual para os perseguidores, o técnico não se deixa abalar e revela que o FC Porto já está habituado a esta pressão: «Já aconteceu 25 ou 26 vezes sermos os últimos a entrar em campo. É um cenário que conhecemos muito bem e é por isso que, para nós, a prioridade tem sido sempre — e tem de continuar a ser — o foco total no nosso jogo, colocando aí todas as nossas energias.»

Quanto à possibilidade de um desaire no Estoril comprometer as ambições portistas, Farioli mantém a serenidade e critica a construção de «narrativas» alarmistas: «Todos os jogos têm um peso e uma importância claros. Este jogo é decisivamente importante, mas está a focar-se nas consequências, sejam elas positivas ou negativas. A realidade é que o que importa, e a abordagem que sempre tivemos e que precisamos de manter nestes restantes 45 dias até ao fim da época é estarmos absolutamente ligados a cada momento e a cada bola. Colocar as nossas energias no ‘e se…’ não nos dá qualquer tipo de vantagem. É claro que, do lado de fora, tenta-se construir uma narrativa sobre possíveis consequências. Já aconteceu antes dizerem que, se ganhássemos o jogo X, seríamos campeões, ou dizerem hoje que, se o jogo amanhã correr mal, tudo vai colapsar… Isso ajuda a vender jornais e eu respeito o vosso trabalho, mas, do nosso lado, o que temos de fazer é ir bola após bola, lance após lance, e estarmos absolutamente ligados ao que está a acontecer aqui e agora.»

Farioli não esquece a recente falha na eficácia ofensiva, especialmente após a derrota com o Nottingham: «Essa é uma área em que claramente precisamos de melhorar. Falámos disso após o jogo com o Nottingham e, ao rever o jogo, tornou-se ainda mais evidente. Estamos aqui sempre a falar sobre factos, como são as ausências do De Jong e do Samu, mas acho que a equipa tem tentado sempre dar uma resposta coletiva. Mencionou o William, que não poderá jogar no Estoril. Ele tem sido um dos jogadores que mais se tem chegado à frente recentemente em termos de golos. Estamos a ter um impacto muito bom dos médios e agora é o momento de todos assumirem o seu papel para compensar estas ausências na frente e aumentar a percentagem de concretização, o que já seria um enorme passo em frente.»

A juventude do plantel portista levanta dúvidas sobre a capacidade emocional da equipa para aguentar a pressão da reta final, mas Farioli mantêm a confiança: «Na verdade, acho que temos uma boa mistura entre jogadores jovens e experientes. Temos todos os elementos para ter, por um lado, a experiência e o sangue frio necessários para entrar nesta fase final da época em três competições; e, por outro, temos os jovens com a energia e a vitalidade que essa idade traz. Temos caraterísticas ideais para terminar a época da forma correta. Isso passa pela união e por este espírito de família, que nos tem permitido superar as muitas dificuldades que tivemos desde o início. Esta época tem estado cheia de momentos difíceis e a resposta da equipa foi sempre positiva quando foi preciso dar uma resposta em campo. Sabemos por quem estamos a jogar e temos muitas pessoas em mente a quem queremos dar o que merecem. Portanto, a motivação e o espírito são as nossas armas nesta reta decisiva.»

O treinador do FC Porto deixa claro que o foco é implacável e que o futuro da equipa depende da capacidade de manter a concentração no presente e de não se deixar levar por histórias construídas para chocar e vender. A mensagem é inequívoca: o rumo do campeonato será decidido jogo a jogo, bola a bola, com os dragões prontos para lutar até ao último segundo.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.


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