O Arsenal está a caminhar perigosamente para um colapso histórico na Premier League, com os fantasmas de títulos perdidos a assombrar a equipa de Mikel Arteta. Depois de uma série alarmante de resultados negativos em todas as competições — derrota na final da Taça da Liga, eliminação pela equipa da segunda divisão Southampton na Taça de Inglaterra e uma pesada derrota diante do Bournemouth no campeonato — os Gunners veem a liderança de nove pontos a escorregar entre os dedos, especialmente com a deslocação iminente ao terreno do Manchester City, segundo classificado.
Apesar da vantagem pontual, a pressão está ao rubro. Os comandados de Pep Guardiola, com dois jogos em atraso, têm a experiência e a qualidade necessárias para aproveitar qualquer deslize do Arsenal e recuperar a liderança. Esta situação recorda algumas das maiores desilusões na história da Premier League, onde equipas que pareciam seguras no topo da tabela acabaram por perder o título de forma dramática.
O Arsenal não é estranho a estas situações. Em 2007-08, sob o comando de Arsène Wenger, a equipa parecia imparável, tendo perdido apenas um jogo nas primeiras 26 jornadas. A liderança de cinco pontos parecia sólida até ao fatídico encontro em St. Andrew’s contra o Birmingham City. Mesmo com um jogador a mais desde os primeiros minutos, os Gunners empataram 2-2, sofrendo o golo do empate já nos descontos. A partir daí, a equipa entrou em colapso, perdendo pontos em seis dos sete jogos seguintes e entregando o título a outro rival.
No presente, o Arsenal de 2022-23 também tem evidenciado sinais de fraqueza. Depois de liderar a tabela praticamente desde agosto, a equipa perdeu pontos cruciais em confrontos contra Liverpool, West Ham e Southampton, todos em abril. A goleada sofrida no Etihad, por 4-1, seguida de derrotas contra Brighton e Nottingham Forest, levantou acusações de “bottle job” — uma expressão que implica falta de coragem e falha em momentos decisivos. Em janeiro, os Gunners tinham uma vantagem de cinco pontos e um jogo a menos face ao City, que naquela época foi uma máquina implacável, conquistando o triplete.
Mas a Premier League sempre foi uma competição imprevisível. Na sua primeira temporada, os campeões Leeds United não ganharam nenhum jogo fora de casa e sobreviveram por um fio, enquanto equipas como Aston Villa e Norwich City tiveram fases de liderança que não foram para a frente. Curiosamente, a contratação de Eric Cantona pelo Manchester United mudou o rumo da temporada 1992-93, com Sir Alex Ferguson a levar os Red Devils ao título após uma recuperação impressionante.
Falando em Manchester United, a equipa de 2011-12 também esteve perto de um descalabro. Depois de uma humilhante derrota por 6-1 para o City, os Red Devils reagiram com uma série impressionante de vitórias que lhes deu uma vantagem de oito pontos. No entanto, uma inesperada derrota contra o Wigan e uma série de empates abriram a porta ao City, que acabou por conquistar o título nessa temporada épica.
Outro exemplo recente é o Liverpool de 2018-19. Apesar de um desempenho quase perfeito — com 97 pontos no final da época —, os Reds acabaram por perder o título para o City, que somou 98 pontos, um recorde. A derrota em janeiro contra os campeões foi o momento decisivo, e mesmo com uma impressionante recuperação, os empates em jogos cruciais custaram caro.
Voltando ao passado, Manchester United em 1997-98 e Newcastle United em 1995-96 são exemplos clássicos de equipas que perderam grandes vantagens. O United chegou a ter 11 pontos de vantagem, mas viu o Arsenal, com três jogos em atraso, recuperar e conquistar o título. Já o Newcastle, com uma liderança de 12 pontos, desmoronou-se após uma série de derrotas em março e perdeu a corrida para o título.
A lição é clara: no futebol inglês, a liderança confortável pode evaporar-se num instante. O Arsenal de Arteta está agora a ser testado ao limite. A visita ao Manchester City poderá ser o momento decisivo da temporada. Conseguirão os Gunners resistir à pressão ou estarão condenados a juntar-se ao triste rol das maiores quedas de liderança da Premier League? A resposta, como sempre, estará dentro de campo, onde a glória e a desilusão se decidem em 90 minutos.
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