Matheus Nunes falou como raramente se ouve um jogador de topo falar. Sem filtros, sem frases feitas. Numa extensa entrevista à DAZN Portugal, o médio internacional português fez um balanço profundo do seu percurso recente, assumindo as dificuldades sentidas após deixar Portugal e explicando por que razão o Manchester City representa hoje o ponto mais alto da sua carreira.
Habituado a jogar sempre — no Sporting e no Wolverhampton — o impacto inicial em Manchester foi duro. Muito duro. Mas a história, garante agora, mudou por completo.
Do Sporting ao choque inglês: dor, frio e posições trocadas
A saída do Sporting para o Wolverhampton, no verão de 2022, por valores a rondar os 45 milhões de euros (podendo chegar aos 50 M€), marcou o início de um período exigente, dentro e fora de campo.
Debrief – Matheus Nunes
“Eu acho que o meu primeiro ano, quando estava no Wolverhampton, foi um ano difícil, coletiva e individualmente. Lembro-me que joguei muitos meses com uma dor na púbis.”
Além das limitações físicas, o médio viu-se obrigado a adaptar-se constantemente a novas funções.
Debrief – Matheus Nunes
“Houve muita mudança de posição. Eu lembro-me que joguei mais de metade da época como extremo-direito, jogava a extremo-esquerdo, joguei poucos jogos a médio…”
Solidão, distância e o peso da mudança
A componente emocional teve um peso decisivo. A mudança de país, de cultura e de clima não foi simples para o jogador, natural do Rio de Janeiro.
Debrief – Matheus Nunes
“O facto de estar longe da minha família, longe dos meus amigos, de estar no frio, que é uma coisa à qual nunca me consigo acostumar… Foi bastante difícil, o primeiro ano.”
A presença de vários portugueses no balneário dos Wolves acabou por funcionar como um apoio essencial.
Debrief – Matheus Nunes
“Dentro do mau, ajudou, porque é diferente estares com pessoas da tua nacionalidade. Eu, às vezes, falava mais português do que inglês.”
O salto para o topo: “Era exatamente o que eu queria”
Apesar das dificuldades, o rendimento na Premier League rapidamente despertou atenções maiores. Em 2023, chegou o salto definitivo para o Manchester City, num negócio avaliado em 55 milhões de euros, mais 5 milhões em bónus — operação que ainda rendeu cerca de 2 milhões de euros ao Sporting, via mecanismo de solidariedade e mais-valias.
Debrief – Matheus Nunes
“Foi, basicamente, aquilo que eu queria, na minha vida, quando saí do Sporting. Se eu saísse, era para um clube como o Manchester City.”
O impacto de não jogar… e a adaptação a Guardiola
A chegada ao Etihad Stadium trouxe outro choque: menos minutos, mais concorrência e exigência máxima sob o comando de Pep Guardiola.
Debrief – Matheus Nunes
“Não joguei tantos jogos, e vim do Sporting, onde jogava todos os jogos. No Wolverhampton também jogava sempre. Chegar aqui e não jogar… foi uma fase de adaptação.”
Hoje, essa fase está ultrapassada.
Debrief – Matheus Nunes
“Agora, sinto-me completamente habituado. Diria que este é o momento mais feliz desde que cheguei a Inglaterra.”
Três épocas, títulos e números de campeão
Naquela que já é a terceira temporada ao serviço do Manchester City, Matheus Nunes tornou-se uma peça útil e versátil, atuando como médio ou lateral-direito. Até ao momento, soma:
- 94 jogos oficiais
- 5 golos
- 19 assistências
- 1 Premier League
- 1 Campeonato do Mundo de Clubes
- 1 Supertaça de Inglaterra
Um currículo que confirma a ascensão de Matheus Nunes ao mais alto patamar do futebol mundial.
De jogador sempre titular a peça de um superelenco
A história de Matheus Nunes é a de muitos talentos que chegam ao topo: talento não chega, é preciso paciência, adaptação e resiliência. Hoje, no Manchester City, o médio português não esconde: sofreu, cresceu… e venceu.
E quando um jogador diz que vive o momento mais feliz da sua carreira sob as ordens de Guardiola, o percurso fala por si.
