Arthur Fils continua a surpreender no Madrid Open, impondo-se com autoridade e inteligência tática numa vitória que deixou os fãs em êxtase. Depois de evitar uma batalha de três sets contra o americano Emilio Nava, Fils garantiu o seu lugar na terceira ronda com um 7-6(2), 6-3 que evidenciou a sua capacidade de superar adversários com serviços potentes e consistentes. Este jovem francês de 21 anos está numa forma incrível, acumulando já sete vitórias consecutivas desde o triunfo no Barcelona Open, e promete dar muito que falar nesta temporada.
O primeiro set foi uma verdadeira demonstração de resistência e concentração. Durante toda a partida, Nava exibiu um serviço explosivo, a rondar os 217-219 km/h, dificultando a vida a Fils, que reconheceu as dificuldades na receção: “O gajo estava a sacar bombas — 217, 218, 219, 215 km/h. Não conseguia fazer nada, especialmente no primeiro set.” O equilíbrio manteve-se até ao tiebreak, onde Fils mostrou a sua classe e sangue frio para dominar e fechar a primeira partida com um serviço eficaz e uma receção aguerrida: “Tive um jogo importante a 5–5 onde pensei que podia quebrar, mas ele jogou muito bem. Tive de fazer um tiebreak espectacular – e acho que fiz. Estive a sacar bem e a receber melhor. Essa foi a chave.”
No segundo set, a partida acelerou e Fils aproveitou para impor o seu ritmo. Apesar de uma breve quebra de rendimento a 3-1, que quase complicou as coisas, o francês manteve a cabeça fria: “Sentei-me e disse a mim mesmo: 'Jogaste uma ronda difícil — tenta tornar esta segunda mais fácil.' Não queria outra batalha de três sets, não é fácil para o corpo.” Com uma série de quebras consecutivas e três jogos ganhos a zero, Fils confirmou a vitória com autoridade.
A influência de Goran Ivanisevic, treinador e mentor, foi decisiva para a estratégia de Fils. O croata aconselhou o jovem francês a manter o foco nos seus próprios serviços para tentar criar oportunidades contra o serviço forte de Nava. Fils explicou: “Goran disse-me para me concentrar nos meus serviços e que talvez aparecessem hipóteses. Ele disse-me isso no início do segundo set — e consegui quebrar, o que foi muito inteligente. No início estava a receber de muito longe, mas ele servia demasiado bem. Então pensei: ‘Avança, escolhe um lado e tenta colocar a devolução.’ Foi isso que fiz, e estou bastante satisfeito.”
Apesar do desgaste físico evidente após um primeiro round quase a chegar às três horas contra Ignacio Buse, Fils não baixou os braços e manteve a concentração máxima, sabendo que evitar um jogo longo nesta fase era essencial para preservar energias para os desafios seguintes: “Sabia que o primeiro jogo seria difícil, com as condições e tudo mais. Hoje senti-me melhor — consegui fazer trocas de bola, que é importante para o meu jogo.”
Além do talento dentro de campo, Fils mostra uma inteligência tática fora dele, combinando análise estatística com instinto. O francês revelou: “Olho para as estatísticas — é o que faço — mas em campo é uma questão de sentir. Por exemplo, hoje ele supostamente deveria sacar mais no T do lado deuce, mas nos primeiros jogos só foi para fora. Então pensei: ‘Ok, vamos pelo feeling.’ Estatísticas são uma coisa, mas tens de ler o jogo, perceber padrões e, às vezes, acertar na intuição. Acho que fiz isso bem hoje.”
A preparação pré-jogo de Fils é simples e eficaz. Com o apoio de Ivanisevic, que lhe dá indicações pontuais, o jovem concentra-se no essencial: “Vou para o court, bato umas bolas e é isso. O Goran às vezes diz-me duas ou três coisas antes do jogo — ‘cuidado com isto, isto e aquilo’ — e depois é só jogar. Simples: jogar ténis, bater no forehand, ponto final.”
E para entrar no ritmo certo, Fils tem uma playlist especial que o energiza antes dos encontros. Entre os seus artistas preferidos estão 50 Cent, com o clássico “Many Men”, o rapper francês Guy2Bezbar e o americano Cordae, cuja música o ajuda a entrar na mentalidade ideal para dar tudo em campo.
Com duas presenças garantidas pelo menos nos quartos de final dos Masters 1000 este ano, Fils está a construir uma carreira sólida e promete continuar a subir no ranking mundial. Depois de poupar o seu corpo ao não jogar em Monte Carlo, o francês tem como próximo adversário Tomas Martin Etcheverry e está a um passo de alcançar a sua sexta presença nos quartos-de-final de um Masters 1000 — um feito impressionante para um jogador tão jovem e promissor.
O talento, a maturidade e a determinação de Arthur Fils fazem dele uma das estrelas em ascensão do ténis mundial. Se continuar neste ritmo, pode muito bem vir a ser um nome incontornável nas grandes competições internacionais. O Madrid Open é apenas mais um palco onde este jovem prodígio continua a deixar a sua marca.
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