Terça-feira, Janeiro 27, 2026

Ruben Amorim demitido: O que correu mal no Manchester United?

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A demissão de Ruben Amorim do Manchester United não é apenas mais um capítulo na tumultuada história do clube, mas sim um reflexo de decisões mal tomadas e de uma gestão ineficaz que já se tornaram rotina desde a saída de Sir Alex Ferguson. Após 14 meses à frente da equipa, a confirmação da sua saída deixou os adeptos a questionar o que realmente correu mal na era do técnico português.

Desde o início da sua jornada no Old Trafford, a esperança era palpável. Amorim, conhecido pelo seu esforço e honestidade, parecia ser a escolha adequada para revitalizar uma equipa que se perdeu no tempo. Contudo, à medida que os meses passaram, tornou-se evidente que ele nunca se sentiu verdadeiramente à vontade no papel que lhe foi confiado. A pressão crescente e os resultados decepcionantes tornaram a sua demissão inevitável.

Os responsáveis do clube estavam ansiosos por dar a Amorim uma temporada completa para avaliar o seu desempenho, uma decisão influenciada não apenas pelo custo elevado da rescisão, que ascende a 12 milhões de libras, mas também pela instabilidade crónica que a troca frequente de treinadores provoca. Desde a saída de Ferguson em 2013, o Manchester United já viu passar dez treinadores, mas os resultados sob a liderança de Amorim não foram suficientes para garantir a continuidade.

Apesar de um investimento superior a 200 milhões de libras em talentos ofensivos durante o verão e de um pré-temporada completo para implementar a sua filosofia, os resultados nunca corresponderam às expectativas. Embora algumas estatísticas indicassem uma melhoria no desempenho da equipa, a verdade é que os resultados em campo foram inaceitáveis. O consenso geral entre os analistas é claro: Amorim, apesar de ser uma pessoa íntegra e trabalhadora, não tinha mais como permanecer à frente da equipa.

A figura de Bruno Fernandes surge como um dos pontos críticos na análise da era Amorim. O médio, que se tornou um símbolo da equipa desde a sua chegada, teve a oportunidade de deixar o clube no verão, com uma proposta que poderia render ao United 100 milhões de libras. A venda do jogador poderia ter sido a solução para colmatar as lacunas no meio-campo, mas Amorim optou por mantê-lo na sua formação, uma decisão que se revelou desastrosa. A insistência em utilizar Fernandes como um dos dois médios centrais prejudicou a dinâmica da equipa, especialmente em relação a Kobbie Mainoo, que viu as suas oportunidades reduzidas. Para muitos adeptos, essa teimosia foi um dos principais factores que levou à queda de Amorim.

Além disso, a instabilidade na gestão do clube, exacerbada pela hesitação em relação a Erik ten Hag, complicou ainda mais a situação de Amorim. O holandês estava prestes a sair após conquistar a FA Cup, mas a indecisão da direção em encontrar um substituto à altura resultou na continuidade de um ambiente tenso que Amorim teve de enfrentar desde o primeiro dia.

Em resumo, a despedida de Ruben Amorim do Manchester United não é apenas uma questão de resultados; é um reflexo de uma estrutura em colapso que não consegue encontrar um rumo claro. A sua demissão marca mais um lamento na história recente do clube e levanta questões sobre o futuro da equipa em busca de um novo líder capaz de devolver a grandeza ao Manchester United.

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