Lionel Messi protagonizou uma polémica inesperada no jogo em que o Inter Miami derrotou o Portland Timbers por 2-0, num encontro marcado por uma tensão latente entre os jogadores e os ultras da equipa. Apesar da vitória, a atmosfera no novo Nu Stadium foi dominada pelo silêncio e protesto dos adeptos, que contestaram a falta de respeito e reconhecimento por parte dos atletas.
Messi voltou a brilhar em campo, inaugurando o marcador aos 31 minutos com o seu 12º golo na MLS esta temporada. Pouco antes do intervalo, o astro argentino assistiu de forma magistral para o alemão German Berterame ampliar a vantagem do Miami, garantindo finalmente a primeira vitória da equipa na sua nova casa. Com este triunfo, o Inter Miami soma a oitava vitória em 14 jogos e mantém-se apenas a dois pontos do líder Nashville na Conferência Este.
No entanto, o verdadeiro drama desenrolou-se fora do relvado. O grupo de fãs ultras do Inter Miami, conhecido como La Familia, decidiu manter um silêncio absoluto durante 85 minutos do jogo, numa forma clara de protesto contra a ausência de reconhecimento por parte dos jogadores. Durante grande parte da partida não se ouviram cânticos, não se bateram tambores nem se agitaram bandeiras, elementos essenciais à tradicional atmosfera dos jogos.
JC Aviles, representante da Southern Legion, um dos grupos de apoio da equipa, revelou ao Miami Herald a razão do protesto: “Os jogadores não mostram respeito à La Familia, não vêm ao nosso setor após os jogos, mesmo quando começamos a montar tudo às 11 da manhã, com as bandeiras e o ambiente preparado dentro do estádio. Cantamos com toda a paixão durante mais de 90 minutos. O único que veio cumprimentar foi o Noah Allen, os restantes vão diretamente para os balneários. Não é nada justo!”
Quando finalmente os cânticos regressaram nos cinco minutos finais, um deles em espanhol deixou claro o descontentamento: “Jogadores, saúdem os vossos fãs, reconheçam o vosso povo, que nada mais vos pede!” Messi, visivelmente desconfortável, permaneceu no meio-campo com as mãos na anca, ouvindo a provocação. Depois, aproximou-se da bancada norte e fez um gesto com a mão que muitos interpretaram como um sinal de desdém.
O episódio culminou num gesto ainda mais polémico no apito final. Enquanto alguns jogadores dirigiram-se à bancada norte para agradecer o apoio, Messi e outros líderes da equipa, como Luis Suárez e Rodrigo De Paul, ignoraram os ultras e aplaudiram as outras bancadas, retirando-se depois do estádio em silêncio.
Tentando apaziguar os ânimos, o lateral-direito Facunda Mura afirmou após o jogo: “Estamos todos em paz e unidos. Agradecemos tudo, desde a equipa técnica a todos no clube que nos dão o que precisamos, e claro, aos fãs que nos apoiam sempre. Esta vitória foi merecida e temos de continuar juntos. Eles fazem parte de nós, somos uma família.”
Por seu lado, o treinador Guillermo Hoyos escolheu uma posição mais discreta face à controvérsia: “O Inter Miami é um grande clube por causa dos jogadores que foram campeões e conquistaram muitos títulos. O público fez a sua demonstração, mas eu não tenho opinião sobre isso.”
Esta guerra fria entre Messi e os ultras do Inter Miami promete prolongar-se e pode ter impactos profundos na relação entre a equipa e os seus adeptos, numa altura em que o clube luta por afirmação na MLS. A estrela argentina está a ser desafiada não só dentro de campo, mas também fora dele, numa batalha que pode definir o futuro do seu legado nos Estados Unidos.
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