Madison Keys brilhou em Roland Garros e superou todas as adversidades para garantir o apuramento para os oitavos de final, numa batalha tensa contra Victoria Mboko que terminou com o triunfo da norte-americana por 6-3, 5-7 e 7-5. O encontro ficou marcado por momentos de elevado drama dentro e fora das quatro linhas, com fogos de artifício e celebrações exuberantes a ecoarem em Paris, provocando uma autêntica batalha de concentração para Keys.
A tenista norte-americana, inicialmente apontada como azarona, quebrou o serviço da adversária a fechar o primeiro set, mas viu-se depois a perder dois pontos de encontro que poderiam ter decidido o jogo mais cedo, permitindo a Mboko equilibrar o marcador e forçar o set decisivo. Apesar dessas oportunidades perdidas, Keys manteve a calma e voltou a quebrar de forma convincente para assegurar a vitória, continuando assim a sua caminhada no torneio francês.
“Foi um jogo super difícil, como era esperado,” confessou Madison Keys no final do encontro. “Estou especialmente satisfeita por conseguir recuperar depois do segundo set e voltar a colocar-me numa posição para ganhar. Às vezes, é a parte mais complicada, por isso é o que me deixa mais feliz.” A norte-americana destacou ainda a liberdade que a adversária ganhou quando estava em desvantagem: “Quando ela estava a perder, jogou muito mais solta e começou a atacar a bola com tudo.” Apesar de algumas decisões que gostaria de poder rever, Keys mostrou-se confiante no seu desempenho geral e valorizou a importância de vencer os jogos de serviço apertados no início da terceira partida.
O quadro feminino do torneio tem sido assolado por eliminações inesperadas de nomes sonantes, como a campeã em título Coco Gauff e a sexta cabeça de série Amanda Anisimova, ambas afastadas após três sets, sem esquecer a saída precoce de Jessica Pegula na primeira ronda. No meio deste cenário caótico, Keys garantiu não estar demasiado focada nas surpresas que têm marcado a competição: “Não pensei muito nisso, para ser honesta. É bom quando toda a gente joga bem, mas hoje tem havido tantos jogos longos e insanos que é difícil acompanhar. Ainda há Wimbledon, e os americanos podem recuperar aí.”
No quadro masculino, a situação é igualmente surpreendente, com apenas três dos dez melhores cabeças de série ainda em prova, após a eliminação precoce de jogadores como Jannik Sinner e Novak Djokovic. Esta abertura cria uma oportunidade inédita para muitos tenistas, mas Keys sublinha que é essencial manter a concentração: “Já aconteceu no passado as chaves femininas terem surpresas e, por vezes, pensava que o meu caminho estava facilitado, mas a verdade é que ainda tenho de jogar e ganhar os meus encontros.” A norte-americana ressalva que a imprevisibilidade no lado masculino torna o torneio ainda mais interessante, já que “temos vários jogadores com reais hipóteses de conquistar o título, algo que não se via há muito tempo.”
Além das dificuldades competitivas, a partida de Madison Keys ficou marcada por uma situação insólita: os fogos de artifício e as celebrações em Paris, motivadas pela defesa do título do PSG na Liga dos Campeões, criaram um ambiente caótico que afetou a concentração dos jogadores em Roland Garros. “Penso que os fogos durante o meu jogo foram um pouco caóticos no início,” admitiu Keys, acrescentando que os torneios mudam de ambiente consoante os acontecimentos. “Lembro-me de Wimbledon no ano passado, quando várias cabeças de série caíram logo na primeira ronda e o ambiente ficou mais nervoso.”
A tenista notou também a ansiedade que parece estar a contaminar o torneio, sobretudo no lado masculino: “Hoje vimos que muitos jogadores estão mais preocupados com quem vai estar na final do que com o jogo que têm pela frente. Espero que consigam focar-se no presente e não no domingo final.” Para Keys, apesar de tudo, estes momentos de loucura trazem emoção e tornam o torneio mais entusiasmante para os adeptos.
Outro desafio adicional para Madison Keys foi a longa espera antes de entrar em campo — o seu jogo começou cerca de 12 horas após o início das partidas do dia. “Não me surpreendeu, estava à espera de jogos longos,” explicou a norte-americana, que se mantém firme na sua posição contra os encontros à melhor de cinco sets na modalidade masculina: “Ainda defendo a proibição dos jogos a cinco sets. Não quero esperar por outro jogo assim, mas duvido que alguém me vá ouvir.” A gestão da energia e a preparação mental para situações imprevisíveis são, para Keys, fundamentais: “O mais difícil é estar pronta para tudo, inclusive para entrar em campo imediatamente após um set. É desgastante, mas é parte do trabalho.”
Na próxima fase, Madison Keys vai defrontar a jovem Diana Shnaider, continuando a luta para conquistar um lugar nas meias-finais de Roland Garros 2026. Com uma chave aberta e as estrelas a cair como dominós, a norte-americana está determinada a aproveitar esta oportunidade e mostrar toda a sua força mental e ténica num dos palcos mais exigentes do ténis mundial.
Este artigo aparece primeiro em Apito Final.
