José Mourinho, agora ao leme do Fenerbahçe, inicia a sua jornada com um olhar crítico sobre o plantel do Benfica. Embora tenha reconhecido as qualidades dos jogadores sob a tutela de Bruno Lage, o técnico português não hesitou em apontar as lacunas que o plantel apresentava, afirmando categoricamente que não teria escolhido aqueles jogadores caso tivesse começado a temporada na Luz. Com a chegada de janeiro, as dinâmicas mudaram: a aquisição de Rafa e Sidny, juntamente com a saída de Rafael Obrador, trouxe uma nova esperança. No entanto, a pergunta que paira no ar é: há espaço para todos no onze do Benfica?
O contexto atual do clube é fascinante. Com as adaptações feitas, Mourinho enfrenta agora um novo dilema: como alocar as peças do seu xadrez numa formação já recheada de talentos? A baliza, por exemplo, é um setor onde a situação é clara. Trubin tem demonstrado um desempenho notável, talvez o melhor desde a sua chegada ao clube, e a ausência de Samuel Soares, que se encontra lesionado, só reforça essa certeza.
Na defesa, Mourinho encontra um cenário tranquilo. O lado direito é dominado por Dedic, que agora conta com Banjaqui como uma alternativa promissora. No centro da defesa, Otamendi permanece indiscutível, enquanto Tomás Araújo e António Silva revezam-se nas funções, com Araújo especialmente preparado para os grandes desafios, como o confronto com o Real Madrid. O flanco esquerdo tem funcionado de forma exemplar com Samuel Dahl, já elogiado por Mourinho, e a inclusão de José Neto, campeão mundial sub-17, que se destacou após a saída de Obrador para o Torino.
Mas é no meio-campo que a complexidade se intensifica. Mourinho finalmente encontrou uma combinação eficiente com Aursnes e Barreiro, jogando nas posições para as quais foram contratados, mas essa solução surgiu quando Barrenechea e Ríos estavam indisponíveis. Com o retorno do argentino e o colombiano pronto para ser convocado para o Mundial, o treinador terá que fazer malabarismos, especialmente com o calendário já apertado: apenas 14 jornadas de Liga e dois jogos do play-off da Champions estão pela frente.
As alas representam um verdadeiro campo de batalha. O que antes eram corredores problemáticos, com a ausência de Lukebakio à direita e incertezas à esquerda, agora fervilham de opções. Prestianni brilha na direita, mantendo-se entre os melhores do Benfica, enquanto Lukebakio, que custou a exorbitante quantia de 20 milhões de euros, está prestes a recuperar o seu posto. À esquerda, a situação é igualmente complexa, com Rafa e Schjelderup a competirem ferozmente pela titularidade. O norueguês, após uma exibição estelar contra o Real Madrid, decidiu ficar, mas Rafa não voltou à Luz para ser um mero espectador. Sidny e Bruma também oferecem alternativas valiosas, especialmente após a recuperação da lesão deste último.
No ataque, Pavlidis e Sudakov formam uma dupla explosiva, mas a flexibilidade de Mourinho permite-lhe explorar diferentes combinações, incluindo a presença de Rafa. Assim, o treinador terá à sua disposição uma abundância de talentos, mas também um desafio considerável: gerenciar egos e expectativas num plantel recheado de estrelas. A questão que persiste é se conseguirá moldar essa multiplicidade em um verdadeiro coletivo vencedor. A vida de Mourinho em Lisboa promete ser repleta de emoção e desafios, enquanto ele tenta alinhar as peças do puzzle benfiquista.
