Alexander Zverev explode em emoções após conquista histórica no Roland Garros: “Uma derrota hoje teria destruído a minha confiança”
Num momento que ficará para sempre gravado na história do ténis alemão, Alexander Zverev não deixou dúvidas quanto à importância do título alcançado no Roland Garros. Em conferência de imprensa, o tenista alemão não se conteve e lançou uma declaração poderosa: “Podem chamar-me o pior vencedor de um Grand Slam de sempre, neste momento não me podia importar menos”. Uma resposta direta aos críticos e, sobretudo, a si próprio, num percurso marcado por sofrimento e resiliência.
O destino reservou-lhe uma reviravolta dramática. Depois do grave acidente no tornozelo que quase pôs fim à sua carreira em 2022, Zverev lutou com unhas e dentes para recuperar o sonho. E hoje, no Court Philippe-Chatrier, tornou-se o primeiro alemão de sempre a vencer o Roland Garros, numa batalha titânica de cinco sets contra Flavio Cobolli.
O campeão não escondeu as dificuldades físicas e mentais no encontro decisivo: “Tive cãibras e estava a sentir muita dificuldade física no final do quarto set. Mas penso que as cãibras não foram só físicas, foram principalmente mentais. Estava tenso e instável. De certa forma, as cãibras ajudaram-me a libertar os meus golpes”. A vitória no quinto set foi um momento de redenção: “Estou feliz por estar aqui, sentado ao lado deste troféu magnífico, pela primeira vez”.
Zverev recordou a sua luta interna para recuperar a confiança perdida: “Já tinha deixado de acreditar? Comecei a jogar novamente ao meu melhor nível no ano passado, em Viena. 2023 não foi um ano positivo para mim, tive muitos problemas físicos e não joguei bem. Este troféu ajuda-me a acreditar em mim próprio”. A conquista, revelou, é um marco histórico para a Alemanha: “Sou o primeiro alemão a vencer o Roland Garros. Este é um troféu importante para o meu país”.
O tenista de Hamburgo, que já acumulava títulos de Masters 1000 aos 20 anos, confessou que demorou a encontrar a mesma confiança nos Grand Slams: “Agora, nada disto importa, sou para sempre um campeão de Grand Slam. Ninguém me pode tirar isto. Este sucesso pode permitir-me jogar com mais liberdade, relaxar a cabeça nas finais. Mesmo que perca, serei sempre um campeão de Grand Slam. Se hoje tivesse perdido, a minha confiança teria desmoronado, mas agora sinto que posso fazê-lo outra vez”.
Num momento de grande emoção, Zverev partilhou um episódio curioso após o segundo match point: “Não acreditava que tinha ganho, olhei para o meu box e estavam a festejar. Foi aí que percebi, especialmente quando vi o meu pai levantar os braços ao céu”. Para ele, o Court Philippe-Chatrier tem um significado ambivalente: “Aqui vivi alguns dos piores momentos da minha vida – uma lesão que me deixou incerto quanto ao meu futuro e uma final perdida. Mas o que construí hoje supera tudo isso”.
Finalmente, Zverev refletiu sobre a pressão que sentiu após as eliminações precoces de Novak Djokovic e Jannik Sinner, dois dos principais favoritos: “Estava cansado, mas consegui gerir bem estas duas semanas. Muitas derrotas importantes aconteceram – o Sinner saiu, depois o Djokovic. Mantive a calma e joguei bom ténis. Hoje não joguei ao meu melhor nível, houve altos e baixos, mas isso faz parte da natureza humana. Por isso disse que as cãibras me ajudaram: comecei a jogar com mais leveza e sem pressão”.
Com esta vitória inesquecível, Alexander Zverev não só supera as adversidades físicas e psicológicas, como também se afirma de vez entre os grandes do ténis mundial, oferecendo um exemplo poderoso de resiliência, coragem e talento. O Roland Garros tem agora um novo rei alemão e a sua história de superação ficará para sempre na memória dos adeptos do desporto.
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