Iker Casillas voltou a reviver em tribunal o dramático enfarte agudo do miocárdio que sofreu em maio de 2019, enquanto treinava no centro de treinos do FC Porto, no Olival. O antigo guarda-redes espanhol, de 37 anos na altura, exigiu uma indemnização de 3,7 milhões de euros à seguradora Fidelidade e ao clube portista, alegando incapacidade para o trabalho devido às sequelas do episódio que quase lhe custou a vida.
Num depoimento carregado de emoção, Casillas descreveu com pormenor o fatídico dia. «Foi um dia normal», começou por explicar. Após deixar os filhos no colégio, dirigiu-se ao Olival por volta das 9h30, tomou o pequeno-almoço e rumou ao ginásio para a sessão habitual de treino. O momento crítico surgiu perto das 11 horas, já no relvado: «Depois de 30 minutos a exercitar, senti uma forte pressão no peito. A dor foi tão intensa que tive de interromper o treino e deitar-me», revelou o ex-internacional espanhol.

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O antigo ídolo do Real Madrid confessou o medo que o dominou nesse instante: «Tive medo, tive dificuldade em respirar». O médico Nelson Puga foi chamado e rapidamente o transportou para a unidade hospitalar da CUF no Porto, onde iniciou um longo processo de recuperação que alterou para sempre a sua vida. «Na primeira semana foi repouso absoluto. Passados 10 dias comecei a caminhar, mas só passados sete meses é que me comecei a sentir como eu próprio», contou.
Na altura do enfarte, Casillas estava vinculado por mais uma temporada ao FC Porto e tinha a firme intenção de prosseguir a carreira profissional. «Eu tinha contrato por mais um ano com o FC Porto e o meu objetivo era continuar a jogar», afirmou com veemência em tribunal.
Durante a audiência, a defesa da seguradora tentou desvalorizar a gravidade do episódio, confrontando Casillas com declarações suas feitas na Web Summit de 2021, onde terá referido que o enfarte foi um evento muito rápido. O advogado do ex-guarda-redes contestou essa interpretação, reforçando a dimensão do impacto na vida do seu cliente.
Questionado ainda sobre a sua participação em jogos de exibição, como os do Real Madrid Legends, e em torneios de padel, Casillas esclareceu que não se trata de competições de alta intensidade: «São jogos amigáveis, jogos de exibição. Não têm o nível e exigência do futebol profissional», sublinhou, afastando qualquer ideia de que está apto para regressar ao futebol de elite.
Este caso, que envolve uma das maiores lendas do futebol mundial e um dos maiores clubes portugueses, promete prolongar-se nos tribunais, enquanto Casillas luta por reconhecimento e compensação pelo impacto que o enfarte teve na sua vida e carreira. A audiência desta segunda-feira no Palácio da Justiça do Porto foi apenas mais um capítulo desta batalha que conjuga saúde, desporto e justiça.
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