Italianos amargam ausência no Mundial 2026 e técnicos falham na estreia

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O pesadelo do Mundial continua a atormentar os adeptos italianos, que voltam a assistir à maior competição de selecções do planeta à distância, enquanto veem antigos ícones e treinadores do seu futebol a falhar nos primeiros desafios. Não bastava a ausência da Itália da fase final do Campeonato do Mundo de 2026 – a terceira consecutiva –, também Carlo Ancelotti e Vincenzo Montella, dois embaixadores do futebol transalpino, começaram mal a sua campanha como seleccionadores de outras nações.

A Itália falhou o apuramento para o Mundial, ficando de fora de uma competição onde deveria ter integrado o Grupo B, ao lado do Canadá, Bósnia-Herzegovina, Suíça e Qatar. Todos estes países já disputaram os seus jogos inaugurais, registando-se empates a uma bola tanto no Canadá-Bósnia como no Qatar-Suíça. Enquanto isso, os italianos vêem-se novamente afastados do palco principal, mergulhados numa frustração crescente, que teima em não desaparecer desde a última presença em 2014.

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O impacto desta ausência é profundo, não só para a federação e para o orgulho nacional, mas também para o futebol europeu, que se vê privado de uma potência histórica. Para os adeptos, a sensação de vazio é ainda mais pungente ao perceberem que figuras como Ancelotti e Montella, agora ao serviço de outras selecções, também tropeçaram nos respetivos jogos de estreia. Carlo Ancelotti, ao leme do Brasil, não conseguiu ir além de um empate 1-1 frente a Marrocos, num encontro em que, segundo o próprio treinador, “os jogadores estavam demasiado ansiosos” – uma análise feita na conferência de imprensa pós-jogo, onde não escondeu a sua desilusão. Por seu turno, Vincenzo Montella, seleccionador da Turquia, foi surpreendido com uma derrota por 2-0 diante da Austrália, deixando a equipa turca numa posição delicada logo à partida.

Montella explicou no final do jogo, visivelmente frustrado, que ainda está a “procurar o melhor onze”, referindo que “há jogadores que chegaram exaustos das épocas nos clubes”. Zeki Celik e Hakan Çalhanoglu foram titulares, enquanto Kenan Yildiz, estrela da Juventus, só entrou na segunda parte devido a limitações físicas após uma longa temporada. O técnico italiano prometeu mudanças para os próximos encontros, sublinhando que “ainda há tempo para alterar o rumo dos acontecimentos”.

O Mundial 2026, que decorre nos Estados Unidos, Canadá e México, ganhou assim um sabor ainda mais amargo para a nação italiana, que esperava ver os seus representantes brilhar mesmo sem a presença da selecção. A fraca estreia de Ancelotti com o Brasil e de Montella com a Turquia lança dúvidas sobre a capacidade de ambos para levar as suas equipas longe nesta competição. Apesar disso, o novo formato do torneio permite que até os terceiros classificados dos grupos possam avançar, pelo que ainda há margem para recuperação. Ancelotti e Montella sabem que não lhes resta outra alternativa senão vencer os próximos jogos, sob pena de aumentarem ainda mais o desencanto dos adeptos italianos.

A juntar a este cenário está a estreia de um terceiro treinador italiano no Mundial: Fabio Cannavaro, campeão do mundo em 2006, prepara-se para liderar o Uzbequistão no Grupo K, com o primeiro desafio marcado frente à Colômbia a 18 de junho. A expectativa é grande para perceber se Cannavaro poderá inverter o ciclo negativo dos técnicos italianos nesta fase inicial.

Com a reputação do futebol italiano a sofrer novo revés, resta saber se Ancelotti, Montella e Cannavaro conseguirão resgatar algum orgulho para o seu país, ainda que indirectamente. Os próximos jogos serão decisivos e, caso não haja uma inversão de resultados, a aura de crise em torno do futebol italiano poderá atingir níveis históricos, acentuando a urgência de uma revolução estrutural. Para já, a única certeza é que o Mundial 2026 está a ser um amargo de boca para todos os que têm o coração pintado de azul e esperavam, pelo menos, ver os seus técnicos a triunfar nos palcos mais mediáticos do futebol mundial.

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