A saída abrupta de Damien Comolli do comando executivo da Juventus está a abalar o futebol italiano, não só pelo impacto desportivo, mas sobretudo pelas consequências financeiras imediatas para o clube de Turim. Apesar de ter deixado o cargo por mútuo acordo, a Juventus vê-se agora obrigada a desembolsar uma indemnização avultada ao seu ex-CEO, num momento em que a estabilidade directiva e os recursos económicos do clube estão sob intenso escrutínio.
Damien Comolli, que chegou à Juventus há precisamente um ano, começou por desempenhar funções como director-geral, tendo sido promovido a CEO em Novembro. Esta ascensão coincidiu com a chegada do treinador Luciano Spalletti, contratado menos de duas semanas antes da promoção de Comolli. Segundo relatos vindos de Itália, as relações entre os dois nunca foram pacíficas, tendo-se agravado nos últimos meses com divergências profundas sobre a gestão do plantel e decisões de mercado.

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O ponto de ruptura, ao que tudo indica, terá sido a falhada contratação do guarda-redes brasileiro Alisson Becker, actualmente no Liverpool. Fontes próximas da direcção garantem que este episódio foi “a gota de água” para Comolli, já depois de, em Abril, ter renovado o contrato de Spalletti numa tentativa de acalmar as hostes. No entanto, as divergências quanto ao perfil dos reforços e a condução do mercado de transferências tornaram insustentável a continuidade do francês no topo da hierarquia da Vecchia Signora.
A importância desta saída não se esgota na instabilidade directiva. Para além de perder um CEO que tentou implementar uma estratégia de mercado arrojada, a Juventus terá agora de pagar a Comolli uma indemnização no valor de 850 mil euros. Esta quantia, avançada esta manhã pelo jornal italiano La Gazzetta dello Sport, representa um encargo significativo, numa altura em que o clube procura equilibrar as contas e recuperar competitividade no futebol europeu. Refira-se ainda que, por ter saído por mútuo acordo, Comolli não terá de devolver os prémios de assinatura recebidos no momento da contratação, algo que poderia ter sido exigido caso se tivesse demitido de forma unilateral.
Na conferência de imprensa de despedida, Comolli optou por não levantar demasiado o véu sobre as razões da saída, limitando-se a agradecer à estrutura do clube e aos adeptos: “Foi um privilégio representar um emblema com a história da Juventus. Desejo os maiores sucessos ao clube e à sua massa adepta”, afirmou o dirigente francês, visivelmente emocionado. Por sua vez, Luciano Spalletti, abordado após o treino matinal, recusou comentar directamente o afastamento de Comolli, preferindo destacar “o profissionalismo demonstrado pela administração” e sublinhar que “o foco da equipa deve estar apenas nos próximos desafios desportivos”.
O novo CEO da Juventus, Giovanni Carnevali, já começou a delinear as primeiras linhas de actuação. Fontes internas garantem que Carnevali pretende imprimir um estilo de gestão mais consensual e menos exposto a conflitos internos, procurando estabilizar um balneário que tem sido alvo de especulação constante. A nomeação de Carnevali é vista como uma tentativa de reposicionar o clube num contexto de maior serenidade, mas não será fácil apagar o impacto mediático e financeiro da polémica saída de Comolli.
Nos próximos dias, espera-se que a direcção reforce a comunicação junto dos adeptos, procurando garantir que a Juventus mantém a ambição de regressar aos títulos, apesar das turbulências fora das quatro linhas. O mercado de transferências e a continuidade de Spalletti serão temas quentes para a imprensa italiana, numa altura em que se exige à Juventus uma resposta forte dentro de campo e uma liderança firme nos bastidores. O desfecho desta situação pode, aliás, influenciar decisivamente o rumo do clube na próxima época e condicionar as movimentações de mercado durante o defeso.
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