Adam Lallana sabe melhor do que ninguém o peso de um arranque falhado numa grande competição internacional — e não hesita em lançar o alerta: a Inglaterra está proibida de vacilar frente à Croácia, hoje, no tão aguardado jogo inaugural do Mundial. O antigo internacional inglês, que esteve presente em dois arranques inglórios de Inglaterra em fases finais, não tem dúvidas: “É absolutamente vital vencer o primeiro jogo”. O aviso é claro e carrega o peso de duas experiências traumáticas que ainda hoje lhe pesam na memória.
O palco está montado em Arlington, nos Estados Unidos, onde a selecção inglesa, agora sob comando de Thomas Tuchel, entra em campo contra a sempre imprevisível Croácia. Para Lallana, a lição está aprendida da forma mais dura possível: em 2014, no calor sufocante da Amazónia, Inglaterra caiu perante a Itália, e quatro anos depois, em Marselha, permitiu um empate nos descontos frente à modesta Rússia, no Europeu de 2016. O resultado? Duas campanhas arrasadas desde o começo, que terminaram com eliminações humilhantes — a última das quais diante da Islândia, uma autêntica pequena potência de 330 mil habitantes, que virou o jogo após um golo madrugador dos ingleses.

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A importância do jogo inaugural é, por isso, tema central nas palavras de Lallana, que acumulou 34 internacionalizações e três golos ao serviço da selecção, destacando-se pela sua versatilidade como médio ofensivo e extremo. “Trata-se de conquistar algum embalo”, explicou, numa entrevista exclusiva concedida à Standard Sport. “Foi isso que conseguimos na Rússia contra a Tunísia, e depois ao vencermos o Panamá. Concordo que é fundamental ganhar ritmo logo no início. É preciso marcar cedo, dar confiança ao nosso ponta-de-lança, pôr os jogadores a carburar.”
O antigo jogador do Liverpool não esconde a admiração pelo adversário desta noite, destacando o papel de Luka Modric: “Vai ser difícil. O Modric estará lá fora — o velho feiticeiro. É fundamental vencer este primeiro jogo. Mesmo fundamental.” Lallana insiste que o grupo sabe o que está em causa, e que só um triunfo poderá alimentar as legítimas aspirações dos ingleses num Mundial com tantos candidatos ao título.
A versatilidade, acredita Lallana, pode ser uma das armas desta Inglaterra. “É sempre útil ser polivalente”, realçou. “Ter 26 jogadores permite à Inglaterra contar com várias opções por posição. Já não é necessário que o número 10 jogue tanto à esquerda como à direita, ao contrário do que acontecia num plantel de 23, onde era preciso ser mais estratégico.”
Quanto aos favoritos à vitória final, Lallana não hesitou: “Acho que a Argentina, a tentar vencer duas vezes seguidas e a jogar nos Estados Unidos, é favorita. Penso que a França também estará sempre entre os principais candidatos. A Inglaterra é outsider, mas isso nem sempre é mau.”
O arranque frente à Croácia representa, assim, mais do que três pontos: é uma questão de afirmação, de confiança e de evitar fantasmas do passado que teimam em assombrar o futebol inglês. Uma vitória poderá ser o tónico perfeito para galvanizar a equipa e os adeptos, projectando a selecção para fases mais adiantadas da competição e afastando de vez o espectro de desilusões anteriores. Por outro lado, um deslize poderá reacender dúvidas, aumentar a pressão mediática e complicar as contas do apuramento.
Segue-se, portanto, um teste de fogo para Thomas Tuchel e os seus homens, que sabem que não há margem para erros. O resultado deste jogo inaugural poderá determinar não só o futuro imediato dos ingleses no Mundial, mas também a narrativa de uma geração que quer, finalmente, devolver a glória a Inglaterra no palco mais exigente do futebol mundial.
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