Hull City arrisca perder seis pontos na Premier League devido a excesso orçamental

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Hull City está sob a ameaça real de ver a sua histórica promoção à Premier League manchada por uma penalização de pontos, caso não consiga vender jogadores até ao início da época 2026/27. Apesar de terem conquistado o acesso ao escalão máximo do futebol inglês e garantido o prémio milionário de 200 milhões de libras pela vitória no chamado “jogo mais rico do futebol” em Wembley, os Tigers enfrentam agora um pesadelo administrativo e financeiro que pode comprometer todo o trabalho realizado dentro das quatro linhas.

Segundo revelações recentes, o Hull City ultrapassou em cerca de seis milhões de libras o limite permitido pelo cálculo de Lucro e Sustentabilidade (PSR) da Premier League, devido sobretudo aos prémios de promoção previstos nos contratos dos jogadores. Caso não regularize esta situação antes do arranque da nova época, o clube arrisca-se a uma penalização automática de seis pontos, em conformidade com os regulamentos da English Football League. O dono do clube, Acun Ilicali, já admitiu publicamente o excesso de despesa e confirmou que será inevitável vender jogadores antes de 1 de Julho para evitar consequências desportivas graves.

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Esta situação coloca o Hull City numa encruzilhada dramática. A obrigatoriedade de vender activos-chave, como o experiente avançado escocês Oli McBurnie, o criativo médio ofensivo Mohammed Belloumi, o jovem defesa Charlie Hughes (de apenas 22 anos) e Regan Slater – contratado ao Sheffield United por apenas 50 mil libras em 2022 – pode fragilizar seriamente o plantel que garantiu a subida. Para além da incerteza no balneário e entre os adeptos, a pressão financeira pode obrigar o clube a aceitar propostas abaixo do real valor de mercado dos seus jogadores, enfraquecendo ainda mais o projecto desportivo para a estreia na Premier League.

A importância desta notícia ultrapassa a mera gestão interna de Hull City. Com os regulamentos de Sustentabilidade Financeira da Premier League cada vez mais apertados, este caso serve de alerta para todos os clubes que sonham com a promoção: o salto competitivo implica não só um investimento desportivo, mas também uma disciplina orçamental férrea. O Hull, ao exceder o limite de 39 milhões de libras permitido para clubes que estiveram fora da Premier League nos últimos três anos, expõe-se agora a uma das sanções mais temidas – a dedução de pontos logo no arranque da época, o que pode comprometer a permanência no principal escalão logo à partida.

Acun Ilicali, durante uma sessão de perguntas e respostas no MKM Stadium no início do mês, foi taxativo: “Excedemos o orçamento e temos de vender alguns jogadores antes de 1 de Julho”, afirmou o proprietário, acrescentando: “Não tenho medo. Já ultrapassámos desafios maiores. Para nós, isto é mais gerível. Agora que somos uma equipa da Premier League, o valor [dos nossos jogadores] aumentou, o que é uma vantagem.” Contudo, como alertou Dale Johnston, correspondente para questões financeiras da BBC Sport, a admissão pública da urgência em vender jogadores pode diminuir o poder negocial do Hull e obrigar o clube a fazer negócios apressados e menos vantajosos.

O regulamento de Lucro e Sustentabilidade da Premier League – a versão inglesa do Fair Play Financeiro – permite que os clubes percam até 105 milhões de libras num ciclo de três anos, mas limita esse valor a 39 milhões para clubes recentemente promovidos, como é o caso dos Tigers. Clubes com saúde financeira estável têm alguma margem de manobra, mas Hull City está longe dessa condição, tendo ficado cerca de seis milhões acima do limite, sobretudo devido aos elevados prémios de promoção.

Nos próximos tempos, a administração do clube terá de fazer escolhas difíceis: sacrificar alguns dos heróis da promoção para garantir o cumprimento das regras, ou arriscar uma penalização que pode hipotecar as aspirações de se manter entre a elite do futebol inglês. Com o mercado de transferências prestes a abrir e os restantes clubes atentos à situação fragilizada do Hull, as próximas semanas serão decisivas para o futuro imediato dos Tigers – dentro e fora de campo. A pressão é máxima, e qualquer passo em falso pode transformar um conto de fadas numa tragédia desportiva.

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