O regresso de Rory McIlroy a Shinnecock Hills, oito anos depois de ter sido literalmente “varrido” pelo vento e eliminado prematuramente, culminou com um surpreendente 69 (-1) na ronda inaugural do U.S. Open, deixando todos a questionar se finalmente encontrou a receita para domar um dos campos mais traiçoeiros do planeta. O campeão em título do Masters, agora número 2 do mundo, mostrou nervos de aço perante condições meteorológicas adversas e uma memória ainda fresca da humilhação sofrida em 2018.
Na quinta-feira, McIlroy arrancou no back nine e rapidamente se destacou com birdies consecutivos nos buracos 11 e 12. Apesar dos bogeys no 13 e 16, manteve-se firme, demonstrando a solidez que tanto trabalhou nos últimos anos. A grande jogada do dia deu-se no buraco 5, onde, após um drive colossal de 396 jardas, cravou um eagle putt de 11 pés, assumindo momentaneamente a liderança isolada da prova. Contudo, bogeys nos seus dois últimos buracos obrigaram-no a contentar-se com um 69, ainda assim um resultado de excelência face ao histórico pessoal e à ventania que se fazia sentir em Southampton, Nova Iorque.

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Este feito ganha ainda mais relevância se recordarmos o colapso de McIlroy na edição de 2018, quando assinou um desastroso 78 na estreia em Shinnecock Hills, falhando o cut ao fim de 36 buracos. O próprio golfista admitiu sentir-se “varrido” pelas condições na altura, confessando à Golfweek: “Lembro-me de estar no tee do 14 em 2018 e o vento vinha da esquerda com tal força que já não sabia para onde apontar.” Acrescentou ainda: “Na altura não estava a conduzir a bola particularmente bem. Agora tenho mais soluções na manga para quando não estou a sentir-me fantástico. Desenvolvi aquele ‘low bullet’ que adoro, em que fico mais próximo da bola e mais vertical. É um shot em que confio.”
O impacto desta mudança é visível na consistência do norte-irlandês nos grandes palcos: desde então, alcançou 18 top-10 em majors, incluindo duas vitórias no Masters, num total de 31 participações. Mas foi precisamente a lição amarga de 2018 que o levou a repensar toda a abordagem à sua carreira. “No fim da época de 2018, quando voava de regresso do Dubai, escrevi no diário que daí em diante iria moldar o meu jogo para competir nos majors e brilhar nos desafios mais difíceis”, revelou McIlroy. “Trabalhei nos aspectos essenciais para ter sucesso nestes torneios: trajectórias de bola, precisão nas distâncias, jogo de wedges, jogo curto e putt. Sinto que evoluí muito nestas áreas nos últimos anos.”
O seu desempenho nesta ronda inaugural é prova dessa evolução. Mesmo quando as coisas pareciam complicar-se – como no buraco 4, onde um espectador tentou pegar na sua bola após um ressalto insólito no caminho dos buggies – McIlroy manteve a compostura e garantiu o par. No final, resumiu a prestação com franqueza: “É tão difícil, tão exigente. Não sinto que tenha feito dois maus shots de ferro nos últimos buracos, mas pus-me em situações complicadas e não consegui salvar o par. Ainda assim, foi um grande dia. Este campo já é desafiante por si só, e com ventos de 30 milhas por hora, põe à prova os melhores do mundo.”
O que se segue é, naturalmente, uma expectativa redobrada sobre o que McIlroy poderá alcançar nesta edição do U.S. Open. Se conseguir manter a disciplina mental e a precisão técnica demonstradas nesta primeira ronda, poderá finalmente exorcizar os fantasmas de Shinnecock Hills e consolidar ainda mais o seu estatuto de lenda viva do golfe mundial. O campo promete continuar impiedoso e a concorrência feroz, mas a confiança demonstrada pelo golfista do Ulster sugere que, desta vez, está verdadeiramente preparado para conquistar um dos títulos mais cobiçados do desporto. Os próximos dias serão decisivos e prometem manter os adeptos colados ao desenrolar da competição, atentos a cada tacada do homem que se recusa a ser derrotado pelo vento.
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