Jérémy Doku abalou o estágio da selecção belga ao abandonar inesperadamente o campo de concentração para assistir ao nascimento do seu primeiro filho. O internacional belga, uma das principais figuras do Manchester City, voou de urgência para Londres no domingo, perdendo assim o crucial segundo jogo do grupo frente ao Irão. O anúncio foi feito pela própria selecção, que confirmou que Doku e a esposa deram as boas-vindas ao pequeno Praise, um momento que apanhou muitos adeptos e analistas de surpresa pela coragem e prioridade dada à família em plena competição internacional.
Segundo informações oficiais, a equipa médica da Bélgica preparou-se antecipadamente para a eventualidade da saída de Doku. O médico Brahim Hacene esclareceu na segunda-feira que o jogador estava sob vigilância apertada, tendo recebido medicação preventiva durante vários dias, o que permitiu que viajasse sem qualquer risco clínico para acompanhar a família neste momento marcante. Doku foi acompanhado pelo médico Brecht De Coninck, garantindo-se assim que toda a deslocação decorresse com máxima segurança. “Como já estava a receber a medicação adequada há vários dias, pôde viajar sem qualquer risco médico para estar com a família durante este momento especial”, explicou Hacene. O médico não detalhou que tipo de medicação estava a ser administrada.

O MUNDIAL 2026 VIVE-SE COM A LEGO
O avançado, de 24 anos, deverá regressar à base da selecção belga, nos arredores de Seattle, já na noite de terça-feira, conforme anunciado pela equipa médica. Contudo, a sua ausência no encontro de domingo frente ao Irão foi inevitável, com a federação a justificar inicialmente a sua não convocatória com motivos de doença. A Bélgica acabou por empatar a zero, num jogo marcado pela inferioridade numérica durante boa parte da segunda parte, após Nathan Ngoy ter visto cartão vermelho direto aos 66 minutos. A equipa foi forçada a recuar, tentando a todo o custo garantir um ponto precioso no grupo.
O caso Doku ganhou ainda mais mediatismo devido à polémica gerada por alguns críticos, sobretudo em França. O avançado já tinha confessado antes do empate com o Egipto (1-1) que gostaria de estar presente no nascimento do filho: “Gostava de estar lá. Nenhum pai quereria perder isso. Sei que a federação está informada e vamos ver o que conseguimos fazer”, declarou Doku aos jornalistas, expressando o seu desejo de conciliar as obrigações familiares e desportivas. Após a concretização desse desejo, vozes como a da apresentadora France Pierron, do canal L'Équipe, atacaram ferozmente o jogador, descrevendo o momento do parto como “repugnante” e insinuando que o pai é sempre “completamente inútil”. As declarações geraram uma onda de indignação e obrigaram Pierron a apresentar um pedido de desculpas público.
A ausência de Doku foi tema dominante na imprensa belga e internacional, com muitos adeptos a questionarem se a presença do extremo poderia ter mudado o desfecho do encontro frente ao Irão. No entanto, os problemas da selecção belga parecem ir além da falta de um só jogador, evidenciando fragilidades colectivas tanto na finalização como na gestão emocional do grupo. O empate a zero deixou a Bélgica numa situação delicada, obrigando-a agora a vencer o próximo jogo frente à Nova Zelândia para garantir a passagem aos oitavos-de-final e evitar um escândalo de eliminação precoce.
O regresso de Doku é visto como um trunfo fundamental para as aspirações dos “Diabos Vermelhos”. O jogador, que se afirmou como um dos mais electrizantes extremos da actualidade, traz velocidade, criatividade e capacidade de desequilíbrio ao ataque belga, elementos que pareceram ausentes nos dois primeiros jogos. O seleccionador nacional e os adeptos esperam que o nascimento do filho sirva de inspiração extra para o jogador, que se prepara para entrar em campo ainda mais motivado e determinado a ajudar a equipa a ultrapassar as dificuldades e a relançar a campanha no Mundial.
As atenções estão agora centradas no reencontro de Doku com os colegas e na resposta que a Bélgica dará frente à Nova Zelândia. Só a vitória interessa, e a pressão está no máximo: o futuro da selecção no torneio depende não só da recuperação do seu craque, mas também de uma renovada coesão dentro e fora do relvado. Com Doku de regresso e a família reunida, resta saber se os “Diabos Vermelhos” conseguem finalmente mostrar o futebol que tanto prometem e evitar uma saída desastrosa da maior competição do calendário internacional.
AGORA PODE ACOMPANHAR O MUNDIAL DE FUTEBOL COM TODA INFORMAÇÃO – AQUI
