Aos 39 anos, Lionel Messi continua a desafiar todas as expectativas e a reescrever a história do futebol mundial, liderando a lista de melhores marcadores do Mundial com cinco golos em apenas dois jogos da fase de grupos. Apesar da idade avançada para os padrões do futebol de elite, o astro argentino não mostra sinais de abrandamento e mantém-se como uma peça-chave na selecção que procura revalidar o título de campeã do mundo.
Messi celebrou o seu 39.º aniversário esta quarta-feira, numa altura em que a Argentina já garantiu a passagem aos oitavos de final do Mundial. O capitão soma agora seis participações em fases finais do Campeonato do Mundo, tornando-se um dos poucos jogadores a alcançar tal feito. O seu percurso é marcado por recordes inigualáveis: oito Bolas de Ouro, doze campeonatos nacionais entre Espanha e França, um impressionante total de 91 golos numa só temporada (2012), e ainda 28 jogos disputados em Mundiais, mais do que qualquer outro jogador na história da competição.

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O impacto de Messi transcende o futebol dentro das quatro linhas. O número 10 argentino não só é uma inspiração para milhões de adeptos em todo o mundo, como também se tornou símbolo de perseverança e superação. Diagnosticado com um défice de hormona do crescimento aos 10 anos, Messi foi rejeitado por vários clubes devido ao seu tamanho e ao custo do tratamento. No entanto, o Barcelona não hesitou em apostar no jovem prodígio, assinando contrato num simples guardanapo quando tinha apenas 13 anos. O resto é história: aos 17 anos fez a estreia pela equipa principal dos catalães e, desde então, construiu uma carreira repleta de feitos históricos.
Para muitos, Messi é o melhor jogador de todos os tempos, não só pelos números, mas pela influência decisiva nos momentos de maior pressão. A sua evolução até conquistar a icónica camisola 10 do Barcelona, herdada de Ronaldinho, e a forma como sempre deixou o seu futebol falar mais alto do que as palavras, alimentaram o fascínio global em torno da sua figura. “Nunca fui um líder vocal, faço o meu trabalho dentro de campo”, confessou Messi numa entrevista antes do Mundial, sublinhando a sua humildade e foco no colectivo.
Os recordes sucedem-se: além das oito Bolas de Ouro (mais do que qualquer outro jogador, incluindo Cristiano Ronaldo, que soma cinco), Messi é o único da história a conquistar a Bola de Ouro do Mundial por duas vezes (2014 e 2022). Em 2012, surpreendeu o planeta ao marcar 91 golos em 69 jogos, superando o lendário Gerd Müller. Com 12 títulos de campeão nacional – dez pelo Barcelona e dois pelo Paris Saint-Germain – Messi mantém uma taxa de sucesso incomparável entre a elite europeia.
Apesar de ser destro, a esmagadora maioria dos seus golos foi marcada com o pé esquerdo, tornando-se um dos canhotos mais temíveis do futebol. Curiosamente, Messi nunca marcou um golo no primeiro minuto de jogo, mas já festejou em todos os outros minutos regulamentares. O seu ritual ao apontar ao céu após cada golo é uma homenagem à avó Celia, figura fundamental no início da sua carreira: “Ela levava-me sempre aos treinos, devo-lhe tudo”, revelou o craque em entrevista.
A sua relação com a selecção argentina também ficou marcada por altos e baixos. Depois de perder a final da Copa América em 2016, anunciou a retirada da selecção, mas cedeu à pressão dos adeptos e regressou para liderar a equipa no Mundial de 2018. “Precisei de tempo para perceber que ainda tinha muito para dar ao meu país”, afirmou Messi, já depois do regresso aos relvados internacionais.
Fora das quatro linhas, Messi construiu um império: estima-se que tenha acumulado mais de 700 milhões de euros em salários e outros tantos em patrocínios e negócios, tornando-se um dos poucos futebolistas bilionários da história. Casou com Antonela Roccuzzo, amiga de infância, com quem tem três filhos, reforçando a imagem de homem de família e discreto fora do estrelato mediático.
Olhando para o futuro, o mundo do futebol interroga-se se Messi conseguirá voltar a erguer o troféu mais cobiçado do planeta. A Argentina prepara-se agora para os oitavos de final, onde Messi será, como sempre, o centro das atenções. Caso avance até à final, poderá ainda aumentar o seu recorde de jogos em Mundiais e, quem sabe, bater mais alguns dos poucos recordes que lhe restam por conquistar. Independentemente do desfecho, uma coisa é certa: Messi já é uma lenda imortal e o seu legado continuará a inspirar gerações muito para além do apito final.
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