Polémica instalada: Carlos Queiroz voltou ao ataque e não poupou nas palavras ao denunciar o que considera ser um erro crasso do VAR que pode custar a qualificação ao Gana. Um penálti flagrante sobre Prince Adu, ignorado tanto pelo árbitro como pelo videoárbitro no embate frente à Inglaterra, está a incendiar o Mundial'2026 e a deixar os adeptos ganeses à beira de um ataque de nervos.
O incidente deu-se na terça-feira, em Foxborough, Massachusetts, quando aos 78 minutos, com o marcador ainda a zeros, o avançado ganês Prince Adu foi claramente derrubado na área por Ezri Konsa. O defesa inglês, de pés levantados e sem qualquer controlo do corpo, abalroou o atacante ganês que se preparava para fuzilar a baliza. O árbitro hondurenho Said Martínez manteve-se impávido, ignorando o lance e, mais surpreendente ainda, sem consultar o VAR – um silêncio ensurdecedor que colocou imediatamente a arbitragem sob fogo cerrado. Gana ficou assim privado de uma grande penalidade que poderia ter decidido o jogo e selado desde logo o apuramento para a fase seguinte.

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Este episódio adquire contornos ainda mais graves quando se analisa o contexto do Grupo L. Inglaterra lidera, mas apenas pela diferença de golos, empatada com o Gana nos mesmos quatro pontos. Croácia persegue logo atrás, com três, e o Panamá parece já condenado. Um simples penálti convertido poderia ter selado o passaporte da selecção africana para os oitavos de final, tornando esta decisão um potencial ponto de viragem nas contas do Mundial. Para Queiroz, a ausência de intervenção do VAR representa não só uma injustiça, mas uma falha grave do sistema em garantir a verdade desportiva.
Na antevisão ao embate decisivo contra a Croácia, Queiroz foi peremptório ao abordar o tema, sem rodeios: “O VAR deveria estar lá para ajudar os árbitros. Já devíamos estar apurados com 6 pontos, somos bons nos penáltis”, afirmou o técnico, visivelmente indignado. O treinador luso, conhecedor profundo dos meandros do futebol internacional, não disfarçou a frustração: “O VAR foi introduzido em 2016 e utilizado no Mundial pela primeira vez em 2018. Não há desculpa ou razão para que não seja melhor, e já é tempo de a FIFA analisar o que aconteceu desde então”, atirou Queiroz, reforçando a ideia de que o sistema deveria evoluir e não estagnar.
A indignação não se ficou pelo banco. Antoine Semenyo, avançado ganês, admitiu que a equipa poderia ter feito mais pressão sobre a equipa de arbitragem. “Os jogadores precisam de confrontar o árbitro para reclamar. Precisamos de ser mais incisivos com os árbitros, insistir mais, porque é realmente frustrante que o lance não tenha sido revisto pelo VAR”, declarou Semenyo, assumindo alguma responsabilidade colectiva por não terem insistido junto do juiz da partida. Este desabafo sublinha a sensação de impotência que grassa entre o plantel ganês, que sente a oportunidade histórica de apuramento a fugir entre os dedos.
Queiroz, que soma já cinco presenças em fases finais de Mundiais – 2010 com Portugal e 2014, 2018 e 2022 ao serviço do Irão, além da actual campanha com o Gana – não se inibiu de ironizar: “O VAR ainda está a funcionar no Mundial? Tenho as minhas dúvidas, o VAR foi tomar um café. Foi claramente penálti”, disparou, numa declaração mordaz que ecoou nas redes sociais e nos principais fóruns de debate futebolístico.
Com o grupo ao rubro e a pressão a aumentar, o próximo jogo frente à Croácia assume contornos de autêntica final para o Gana. Os africanos sabem que só a vitória garante o apuramento sem depender de terceiros, mas a ferida aberta pela arbitragem promete alimentar a motivação – ou a ansiedade – da equipa. Por outro lado, a FIFA vê-se novamente confrontada com o escrutínio sobre a eficácia do VAR, cuja credibilidade sai abalada após mais este episódio. A polémica está instalada e promete continuar a fazer correr muita tinta, com possíveis consequências para futuros jogos e para o próprio modelo de arbitragem vídeo-assistida.
Resta esperar para ver se Queiroz e o Gana conseguem ultrapassar este golpe e responder dentro de campo com a mesma determinação que demonstraram fora dele. Uma coisa é certa: o VAR, que deveria ser sinónimo de justiça, está a transformar-se no protagonista mais controverso do Mundial'2026.
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