Ousmane Dembélé assombrou o mundo do futebol ao marcar um hat-trick em apenas 32 minutos, garantindo a vitória categórica da França por 4-1 frente à Noruega B, resultado que permite aos gauleses terminar no topo do grupo. Numa exibição electrizante, Dembélé não só dissipou todas as dúvidas sobre a sua capacidade de decidir em grandes palcos, como também reacendeu a esperança dos adeptos franceses numa caminhada triunfal nesta competição. A goleada, construída ainda antes do intervalo, abre portas a uma fase a eliminar mais favorável para os “Les Bleus”, que assim permanecem na zona de Nova Iorque-Filadélfia-Boston para os próximos desafios.
O seleccionador Didier Deschamps, ausente por motivos familiares após o falecimento da mãe, verá regressar a uma equipa com o ataque em estado de graça, mas com velhos problemas defensivos por resolver. O embate realizou-se perante uma Noruega desfalcada, sem Erling Haaland, que permaneceu no banco durante todo o encontro, e com uma defesa composta por segundas linhas. Kylian Mbappé, apesar de não ter marcado, revelou-se decisivo ao assistir Dembélé por duas vezes e ao assumir uma postura de verdadeiro capitão, comprometido com tarefas defensivas e a apoiar o meio-campo em várias ocasiões.

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A importância desta vitória vai muito além dos três pontos. Para além de garantir o primeiro lugar do grupo e permitir alguma rotação no plantel, a França assegura que evitará deslocações penosas e desgastantes na fase seguinte, uma vantagem logística crucial numa competição deste calibre. O renascimento de Dembélé surge num momento vital: “Depois de tanto tempo à espera do meu primeiro golo numa grande competição, precisava deste desbloqueio. Hoje senti-me finalmente livre para jogar com confiança”, assumiu o extremo do Paris Saint-Germain, no final do encontro. A sua explosão goleadora e a capacidade de jogar consecutivamente após uma temporada atribulada por lesões representam um trunfo inestimável para Deschamps.
No entanto, nem tudo foram rosas para os franceses. O sector defensivo voltou a exibir fragilidades preocupantes, com Dayot Upamecano a revelar alguma hesitação insólita e Jules Koundé a não convencer os críticos quanto à sua titularidade. O golo norueguês, apontado por Thelo Aasgaard ainda na primeira parte, resultou de uma defesa apática e de uma abordagem displicente de Dembélé à cobertura. O início da segunda parte trouxe mais calafrios, com Théo Hernandez a cometer um penálti infantil – valendo à França a inspiração de Mike Maignan, que defendeu o castigo máximo e mais tarde voltou a evitar o segundo golo dos nórdicos numa intervenção decisiva. “Temos de corrigir rapidamente os erros defensivos. Não podemos dar estas facilidades se queremos ser campeões”, alertou Maignan após o apito final.
A ausência de golos das principais estrelas, Mbappé e Haaland, acabou por ser um dos factos mais insólitos da noite. Mbappé, incansável a distribuir jogo e a pressionar alto, atirou à barra nos primeiros segundos, mas acabou por se destacar nos passes decisivos e no trabalho colectivo. Haaland, por sua vez, não chegou sequer a calçar as botas, uma decisão que gerou surpresa entre os adeptos noruegueses e que, provavelmente, influenciou o desfecho.
Com o apuramento e o estatuto de líder do grupo assegurados, a França encara agora os oitavos-de-final com a moral em alta mas com a consciência de que precisa de estabilizar o sector defensivo para não comprometer o sonho de voltar a erguer o troféu. Resta saber se Deschamps irá operar alterações na retaguarda ou apostar na continuidade, confiando que o poder ofensivo de Dembélé e companhia seja suficiente para mascarar as debilidades atrás. A pressão aumenta, as expectativas também – e o mundo estará atento à resposta dos “Les Bleus” quando a competição entrar na fase a doer.
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