Noruega arriscou ao poupar Haaland e Odegaard frente à França no Mundial

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Ousmane Dembélé destruiu as aspirações da Noruega com um hat-trick fulminante, enquanto Erling Haaland e Martin Ødegaard assistiam do banco, fruto da decisão ousada do seleccionador Ståle Solbakken em rodar quase toda a equipa titular frente à poderosa França, em Boston. A aposta radical do técnico norueguês, que trocou dez jogadores do onze inicial, não só travou a corrida de Haaland à Bota de Ouro, como permitiu aos franceses carimbarem um convincente triunfo por 4-1 que deixou os adeptos noruegueses em choque.

Solbakken não hesitou em abdicar das suas principais estrelas, Erling Haaland e Martin Ødegaard, num momento crucial da fase de grupos do Mundial, apostando tudo numa gestão física para os embates decisivos que se avizinham. A decisão foi inspirada na estratégia francesa do último Mundial, quando Didier Deschamps optou por rodar o plantel na última jornada da fase de grupos, permitindo aos seus astros recuperar energias para as rondas a eliminar. Curiosamente, desta vez, Deschamps não replicou essa abordagem e apresentou uma equipa de luxo, determinada a garantir o primeiro lugar do Grupo I.

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A importância desta notícia não se resume ao resultado do jogo, mas sim ao impacto que a gestão do plantel poderá ter no desempenho futuro da Noruega. Ao sacrificar o momento de forma e o ritmo competitivo da equipa titular, Solbakken arrisca-se a perder o embalo conquistado com duas vitórias consecutivas. No entanto, em torneios longos e extenuantes, como este Mundial, a frescura física pode ser decisiva nas fases a eliminar, sobretudo num contexto inédito, com 48 selecções, 104 jogos e temperaturas escaldantes que obrigam até a pausas obrigatórias para hidratação.

Questionado sobre o risco de comprometer as aspirações individuais de Haaland na luta pela Bota de Ouro, Solbakken foi peremptório: “Não quero saber disso para nada”, declarou o seleccionador norueguês esta semana, desvalorizando os prémios individuais em detrimento do colectivo. Antes do encontro, Solbakken já tinha deixado pistas sobre a intenção de rodar a equipa, justificando-se com o exemplo da França de 2022: “Podemos aprender muito com a França. Eles conseguiram chegar ao terceiro jogo da fase de grupos e descansar alguns jogadores… foram inteligentes”, afirmou em conferência de imprensa.

Apesar da inspiração francesa, a estratégia de Solbakken acabou por ser traída pelo próprio Deschamps, que surpreendeu ao apostar forte e feio desde início. O seleccionador norueguês realçou ainda, antes do apito inicial, o perigo de Mbappé e Michael Olise, mas quem acabou por brilhar foi Dembélé, autor de um hat-trick que evidenciou a profundidade e qualidade do plantel gaulês.

Há quem questione a validade de abdicar do ritmo competitivo em prol do descanso, sobretudo quando o embate é frente a uma das principais favoritas ao título. Os críticos argumentam que perder por números expressivos pode abalar a confiança do grupo, mas a história recente mostra que o descanso estratégico já rendeu frutos a selecções como a própria França em 2022, que perdeu o último jogo do grupo mas atingiu a final, e a Inglaterra em 2018, que também rodou jogadores e chegou às meias-finais.

O debate sobre o peso do chamado “momentum” permanece aceso, com estudos a indicar que a forma recente pode ter pouco impacto nos resultados seguintes. Thomas Tuchel, questionado sobre uma eventual rotação no plantel inglês, respondeu que estaria disponível para o fazer, mas advertiu para o perigo de mexer demasiado e quebrar ligações entre jogadores.

Com a fase de grupos prestes a fechar, todas as selecções enfrentam o dilema: arriscar o desgaste dos titulares para manter a dinâmica, ou sacrificar o resultado imediato para chegar em força às eliminatórias? No caso da Noruega, a aposta foi clara: preservar as principais figuras para os momentos decisivos, mesmo que isso implique perder uma batalha para tentar ganhar a guerra.

A resposta definitiva só será conhecida nos próximos jogos. Caso a Noruega, com Haaland e Ødegaard frescos, consiga ultrapassar os oitavos-de-final e surpreender nas rondas seguintes, Solbakken será visto como um visionário. Se, pelo contrário, a equipa não recuperar o ritmo perdido e sair cedo do torneio, a decisão de rodar o plantel frente à França será recordada como um erro fatal. O Mundial de 2024 está ao rubro e todos os olhos vão estar postos no que a Noruega conseguirá fazer a seguir.

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