Canadá faz história e vence áfrica do sul nos oitavos do mundial 2026

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O Canadá acaba de protagonizar um dos momentos mais arrebatadores do Mundial 2026, ao garantir uma vitória dramática por 1-0 sobre a África do Sul nos oitavos de final, numa noite de pura loucura e emoção em Los Angeles. O golo decisivo, apontado nos descontos por Stephen Eustáquio, lançou a equipa e os adeptos canadianos numa celebração histórica, marcando a primeira vitória do país numa fase a eliminar de um Campeonato do Mundo masculino e catapultando a selecção para a ribalta do futebol internacional.

O encontro, disputado no Estádio de Los Angeles a 29 de Junho, ficou marcado por um ambiente de cortar à faca, com milhares de adeptos canadianos a invadirem a cidade californiana em busca de um sonho há muito adiado. A vitória foi ainda mais saborosa tendo em conta a ausência de Ismaël Koné, o médio do CF Montréal que, há apenas dez dias, partiu a perna num embate contra o Qatar e está fora do resto do torneio. Apesar da lesão grave e de ter sido operado recentemente, Koné juntou-se à festa no relvado, de óculos de sol e muletas, dançando com os colegas após um feito que ficará gravado na memória colectiva do desporto canadiano.

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O momento decisivo surgiu já em tempo de compensação, quando Stephen Eustáquio, médio do LAFC, disparou um remate de fora da área, de primeira, sem dar hipóteses ao guarda-redes sul-africano Ronwen Williams. O estádio explodiu e, em simultâneo, milhões de canadianos vibraram em festas improvisadas de costa a costa. O próprio Primeiro-Ministro, Mark Carney, que assistiu aos jogos do Canadá em Vancouver, caiu de joelhos na pista do aeroporto de Ottawa enquanto via o desfecho no telemóvel, pouco antes do golo histórico.

Este triunfo representa uma reviravolta impressionante para uma selecção que, há apenas 12 anos, ocupava o 122.º lugar do ranking mundial da FIFA. Agora, os “Les Rouges” vão defrontar um gigante do futebol internacional — Holanda ou Marrocos — nos oitavos de final, a 4 de Julho, em Houston. Richie Laryea, lateral do Toronto FC, sintetizou o sentimento nacional: “Esta selecção percorreu um longo caminho, desde que comecei e mesmo antes disso. Era uma equipa à procura de respeito. Ganhar um jogo destes num Mundial e avançar é algo especial. É um momento que os canadianos nunca vão esquecer.”

O impacto desta vitória transcende o mero resultado desportivo. Para o seleccionador Jesse Marsch, este grupo já fez história e inspirou uma nova geração de jovens canadianos a acreditar no futebol: “Pensem nos dois anos que passámos juntos, a falar de manter o plano, jogar de forma agressiva e mostrar carácter. Vocês são heróis para as futuras crianças deste país que quiserem jogar futebol. O futuro deste desporto no Canadá existe por causa de vocês. Devem estar orgulhosos deste jogo e do que são”, declarou Marsch no balneário, visivelmente emocionado.

A dimensão emocional desta conquista é ainda maior quando se conhecem as histórias pessoais dos jogadores. Stephen Eustáquio, que chegou a representar Portugal nas camadas jovens antes de optar pelo Canadá, perdeu ambos os pais entre 2023 e 2024 e tornou-se pai este ano. “Tudo o que faço é pela minha família, pelos meus pais, pela minha namorada, pela minha filha, pelo meu irmão, pelos meus amigos e por todos vocês e pelo Canadá”, confessou Eustáquio, em lágrimas após o apito final. “Agora vamos jogar com Marrocos ou Holanda. Quem sabe, num bom dia, conseguimos continuar a fazer história, se acreditarmos e trabalharmos como até aqui.”

Com a confiança em alta e o estatuto de “azarão” assumido, o Canadá prepara-se para o maior teste da sua história recente. A pressão desapareceu e a selecção joga agora sem nada a perder. Jesse Marsch reforçou essa mentalidade: “Além de inspirar o nosso país, um dos objectivos era chegar longe o suficiente para defrontar um dos gigantes do futebol mundial. Chegámos a essa fase do torneio e sinto que é um 'free hit', portanto vamos atacar e fazer tudo para tentar ganhar.”

A vitória frente à África do Sul não só consolidou a identidade futebolística do Canadá, tradicionalmente associado ao hóquei no gelo, como também abriu portas para um futuro promissor. A equipa mostrou resiliência, superou adversidades e conquistou o respeito global. Agora, com um país inteiro a sonhar acordado, resta saber até onde pode chegar esta geração de “heróis canadianos”. A próxima batalha está à porta e, independentemente do desfecho, já garantiram um lugar eterno nos corações dos adeptos.

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